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Into the Wild: uma biografia rumo ao coração do homem

Posted in Drama, Oscar 2008 on 26/02/2009 by cinemacc

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Into the Wild (Na Natureza Selvagem, EUA, 2007) Direção: Sean Penn. Roteiro: Sean Penn. Fotografia: Eric Gautier. Música: Michael Brook, Kaki King, Eddie Vedder. Elenco: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Catherine Keener, Vince Vaughn, Kristen Stewart, Hal Holbrook.

2 Indicações Academy Awards®: Ator Coadjuvante (Hal Holbrook); Edição.

2 Indicações Golden Globes®: Trilha Sonora; Canção – ‘Guaranteed’, por Eddie Vedder.

1 Indicação César®: Filme Estrangeiro.

 

Hoje resolvi escrever um pouco de um grande filme de 2007: Na Natureza Selvagem. Em seu melhor trabalho na direção, Sean Penn torna emocionante a trajetória real de Christopher McCandless da vida normal até a maior aventura de sua vida no Alasca, em busca de liberdade e de auto-conhecimento.

Penn divide a obra é dividida em cinco capítulos que procuram dar conta da experiência realizada por McCandless que, mesmo pertencendo a uma família de classe média-alta norte-americana, resolveu abandonar tudo e seguir sua natureza.

O diretor, que também escreve o roteiro baseado no livro homônimo de Jon Krakauer, valoriza o embate “profundeza da natureza selvagem” versus “auto-conhecimento”, marcando aspectos apontados pelo aventureiro em seu diário. Isso também é destacado pelos títulos e conteúdos dos capítulos:

Em Meu próprio nascimento, ele cria uma alcunha para si – Alexander Supertramp (inspirado na banda de mesmo nome), e percorre o Arizona e a Carolina do Norte, em 1990; Adolescência mostra sua trajetória por Dakota do Sul, local em que trabalha na fazenda de um homem que fortalece seu senso de liberdade, ao mesmo tempo que tem narrada a sua história por sua irmã; no capítulo Adulto, McCandless encontra caminhos de travessias rumo ao sentido de sua maturidade evidenciada  alegoricamente pelos trilhos do trem; Família trata do seu encontro com hippies pelos quais adquire um sentido de afeto, não encontrado na sua família de sangue; e, por fim, Lição de Sabedoria, Chris encontra Ron Fred, um veterano de guerra solitário, que, de maneira tocante, afeiçoa-se familiarmente pelo jovem.

Ao longo desses capítulos, que funcionam como flashbacks, são mostradas as cenas no Alasca: a sua vida junto à natureza, as belas paisagens, o encontro de Chris frente a tudo que é selvagem, e o seu cotidiano no Magic Bus.

O roteiro é excelente e muitas das reflexões do aventureiro são escritas na tela, proporcionando um visual bastante pessoal de sua história. Algumas frases são tão simples que se tornam clássicas por serem justamente o que muito de nós pensamos no cotidiano. Por exemplo, quando Chris fala “sem relógio, nem contas, nem nada, somente ali, nas montanhas com o rio, o céu, ali, na natureza selvagem”, ou quando as imagens traduzem uma simples fala da narradora: “Chris não queria ser encontrado”. Penn acerta em cheio!

As canções compostas por Eddie Vedder são brilhantes, e acertam em cheio as vivências de Chris, revelando a maturidade do personagem rumo ao universo desconhecido. As músicas ‘Guaranteed’ e ‘No Ceiling’ são poemas que expõem a verve inspirada de Vedder (que segue mais os seus ‘padrinhos’ musicais Bob Dylan e Neil Young). Mais do que a trilha desse longa, as composições mostram o despojamento e a maturidade do cantor do Pearl Jam. Vale a pena conferir o disco, no filme e no dia-a-dia porque temos uma belíssima obra de arte sonora.

Enfim, Na Natureza Selvagem é cinema para reflexão sem cair em simplificações e sem pieguices comuns como culpar o capitalismo ou o ambiente familiar deteriorado do protagonista, porque para Chris sua justificativa era seu eu. E é essa busca, a  sua grande aventura: a natureza selvagem que é o próprio coração do homem.

Assim, reflita sobre tua natureza, e um até breve!

Macc Avaliação: 9,5