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Dark Victory: mais uma vitória de Bette Davis

Posted in Ciclo de Cinema Histórico, Drama, Oscar 1940 on 29/03/2009 by cinemacc

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Dark Victory (Vitória Amarga, EUA, 104 min., 1939). Direção: Edmund Goulding. Roteiro: Casey Robinson. Fotografia: Ernest Haller. Música: Max Steiner. Elenco: Bette Davis; George Brent; Humphrey Bogart; Geraldine Fitzgerald; Ronald Reagan.
Premiações: Academy Awards®: Indicado: Filme; Atriz (Bette Davis); Trilha Sonora.

 

Há filmes que hoje passam despercebidos aos olhos de espectadores acostumados a acompanhar a efervescência da produção do século XXI. E há obras que passam ainda mais obscuras se essa estiverem historicamente próximas de clássicos populares como E o vento levou, O mágico de Oz e No tempo das diligências. Esse é o caso de Vitória Amarga.

Lançado no ano de ouro do cinema hollywoodiano, 1939, esse drama possui qualidades e defeitos como a grande maioria dos filmes de ontem e de hoje. Mas para o espectador desacostumado a assistir obras das primeiras três décadas do cinema falado, essa talvez não seja a melhor indicação para se começar a acompanhar. O roteiro, ainda que linear, é travado por personagens secundários (interpretados por Ronald Reagan e Humphrey Bogart) que pouco contribuem para dar profundidade à trama. Eles acabam servindo como mero passatempo da protagonista. Há também a tradicional simplificação das filmagens, típico de filmes com baixo orçamento (para os padrões hollywoodianos).

Mas o ponto forte é a coragem dos produtores em dar destaque ao tema da doença e a maneira como Bette Davis constrói a protagonista. A história trata de agonia, da esperança e da paixão. Judith Traherne (Davis) é uma jovem rica da sociedade. Um dia, seu médico Frederick Steele (Brent) faz um terrível diagnóstico: ela tem um tumor no cérebro. Submetida a uma cirurgia, aparentemente ela se recupera. E também se apaixona pelo cirurgião. Mas Steele conta à sua secretária (Fitzgerald) que o tumor irá reaparecer e Judith poderá morrer. Ao saber disso, ela entra em profunda depressão. Mas o médico Steele tenta de todas as formas salvar a vida da jovem.

O destaque de Vitória Amarga está justamente no mais óbvio: a atuação de Bette Davis. Sofrendo no período das filmagens por perdas no campo afetivo, a performance de Davis é arrebatadora conseguindo tocar o espectador no misto de tristeza e felicidade que emprega à personagem. É importante também destacar que o projeto deste filme deveu-se muito a sua influência sobre o chefe do estúdio Warner Bros., Jack Warner, convencendo-o a comprar os direitos da peça de George Emerson Brewer Jr. e Bertram Bloch, em que o roteiro se baseou. Os papéis de George Brent, como o médico que se apaixona pela paciente e de Geraldine Fitzgerald como a fiel amiga de Judith são importantes no sentido de amparar e transmitir a emoção daqueles que a cercam e que se consomem pelo sofrimento e pela estrada sem volta que a protagonista percorre.

Há duas versões deste filme dirigido por Goulding. A primeira de 1963, Stolen Hours (Horas Roubadas), dirigida por Daniel Petrie e com a estrela Susan Hayward (interpretando papel similar ao de Davis) e Michael Craig (como o doutor). E outra homônima do clássico de 1976 produzida para a televisão com Elizabeth Montgomery e Anthony Hopkins. Em ambos a relação afetiva entre médico e paciente é realçada, criando um clima de melodrama avançado. O que não ocorre com Bette Davis encabeçado o elenco. O filme é triste e talvez mórbido, mas não falta seriedade e emoção com o tema da morte. E sem precisar derramar muitas lágrimas…

Quando e Onde ver:
Dia 30 de Março, Segunda-Feira, 19 h, com comentários da historiadora Viviane Bandinelli.
21º Ciclos de Cinema Histórico: Mulheres à Beira de uma Sessão de Cinema.
Auditório do CCSH – Centro; Rua Floriano Peixoto, 1184
Santa Maria, RS.
Entrada Franca

Macc Avaliação: 8,5

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