Archive for the Comédia Category

Lilies of the Field: a fé remove as sombras

Posted in Ciclo de Cinema Histórico, Comédia on 22/04/2009 by cinemacc

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Lilies of the field (Uma voz nas sombras, EUA, 94 min., 1963). Direção: Ralph Nelson. Roteiro: James Poe. Fotografia: Ernest Haller. Música: Jerry Goldsmith. Elenco: Sidney Poitier; Lilia Skala; Lisa Mann; Isa Crino; Francesca Jarvis; Pamela Branch; Stanley Adams.

Premiações: Academy Awards®: Melhor Ator (Sidney Poitier); Indicado: Filme; Roteiro Adaptado; Atriz Coadjuvante (Lilia Skala); Fotografia P&B. BAFTA: Indicado Ator Estrangeiro (Sidney Poitier); Prêmio UN. Berlin Festival: Melhor Interfilm; Prêmio OCIC; Urso de Prata de Melhor Ator (Sidney Poitier); Menção Honrosa de Prêmio Jovem Realizador. Indicado Urso de Ouro. Golden Globes®: Melhor Ator – Drama (Sidney Poitier); Filme – Categoria Especial; Indicado: Filme – Drama; Atriz Coadjuvante (Lilia Skala).

 
Antes de me dedicar a ‘árdua’ tarefa de colecionar e ver todas as obras indicadas ao prêmio Oscar® de melhor filme, não conhecia um quarto de bons filmes norte-americanos. Eis que então, dentre estes bons filmes que concorreram no Academy Awards®, surge um obra singular que enfoca a devoção de maneira bastante espirituosa e agradável, Lilies of the Field (literalmente, “lírios do campo”), título retirado de uma passagem do Novo Testamento, do sermão da Montanha no livro de Mateus, e que foi traduzido no Brasil com o sugestivo nome Uma voz nas sombras.

Pela sinopse pude tomar contato que seria, no mínimo, um filme interessante: Um homem negro, Homer Smith (Poitier) é um operário desempregado, que trabalha no ramo de construções. Ele para seu carro em uma propriedade rural, para arrumar o carro que está com problemas. Nesse lugar moram freiras católicas do leste europeu. Maria (Skala), a madre superiora, acredita que ele foi mandado por Deus para ajudá-las a construir uma capela naquele local. Apesar disto não estar em seus planos, Homer se propõe a fazer pequenas tarefas, o que gradativamente começa a tomar proporções maiores, na medida em que ele passa a ser envolvido pelo discurso e pelo contato com as freiras. Assim, ainda que bastante religioso e relacionado à crença, pareceu-me também bastante humano e simples.

Mas Uma voz nas sombras é muito mais do que isso. Trata-se de uma obra envolvente, bem construída, com ótimo senso de humor, fé, e claro com uma mensagem redentora, positiva e cristã. Quero deixar claro que não sou um religioso praticante, até, posso dizer, critico muito a estrutura política dessas instituições. Mas o filme me convenceu que há humanidade na (divina) providência, basta crer.

Produzido nos anos 1960, a obra é baseada no romance homônimo de William E. Barrett (que escreveu o livro em 1962). A obra toca em assuntos próprios do que a religiosidade gosta de abordar: fé, crença, amizade, coletividade, conflito – com o resultado positivo, trabalho, relações étnicas e raciais (bem propício para a época da produção) e confiança.

Destaca-se a atuação brilhante de Sidney Poitier, no auge de suas interpretações na década de 1960, para as irmãs que expressavam um misto de sentido de bondade, com autoritarismo calcado na fé e na canção composta por Jester Hairston (que também dublou a voz de Sidney Poitier quando seu personagem cantava em cena), “Amen”, que ressoa na mente do espectador após a sessão.

O próprio Ralph Nelson dirigiu seu último filme em 1979 – Christmas Lilies of the Field -, refilmando e adaptando para a televisão, Uma voz nas sombras – que foi seu maior sucesso, sendo que nesse telefilme ele relaciona a trama a proposta natalina.

Enfim, vale descobrir esta obra, que ainda está escondida sob as sombras de filmes mais populares. Os motivos que tornam importante conferir este filme já deixamos claro aqui, mas, principalmente, devemos ver pela necessidade de crermos em algo, como, por exemplo, boas histórias (com orçamentos modestos) contatadas no cinema. E nisso eu creio, sem sombra de dúvidas.

 
Quando e Onde ver:
Dia 22 de Abril de 2009, 19 h, com comentários do professor, cronista, escritor e historiador Vitor Biasoli.
22º Ciclos de Cinema Histórico: Crenças, Fé e Obsessões Religiosas.
Auditório do CCSH – Centro; Rua Floriano Peixoto, 1184
Santa Maria, RS.
Entrada Franca

Macc Avaliação: 9,5

Volver: um retorno

Posted in Ciclo de Cinema Histórico, Comédia, Drama on 09/04/2009 by cinemacc

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Volver (Volver, ESP, 121 min., 2006). Direção: Pedro Almodóvar. Roteiro: Pedro Almodóvar. Fotografia: José Luis Alcaine. Música: Alberto Iglesias. Elenco: Penélope Cruz; Carmen Maura; Lola Dueñas; Blanca Portillo; Yohana Cobo; Antonio de la Torre; Chus Lampreave.

 

Premiações: Academy Awards®: Indicado Atriz (Penélope Cruz). BAFTA: Indicado Atriz (Penélope Cruz); Filme Estrangeiro. Cannes Festival: Melhor Elenco Feminino; Roteiro. Indicado Palma de Ouro. César Awards: Indicado Filme Estrangeiro. Golden Globes®: Indicado: Filme Estrangeiro; Atriz (Penélope Cruz).

 

Ok, quem já leu algum dos posts aqui escritos já pode perceber que não gosto da grande maioria dos filmes do sr. Pedro Almodóvar. Mas não vou cair na ranzinzisse de apenas destruir uma obra que, sim, tem méritos. E por isso escreverei um texto valorizando um de seus filmes, que inclusive, na minha avaliação, não é o melhor, diria até longe disso.

É importante dizer que considero Fale com Ela (2002) a obra-prima, o filme nota 10 desse diretor. O roteiro envolvente, a história que trata de solidões, e as possibilidades criativo-estéticas com referências ao cinema mudo, a sua própria obra e ao universo espanhol é algo admirável e difícil de se encontrar na cinematografia mundial.

Mas vou falar aqui de Volver, que de partida tem o mesmo nome de um tango composto e interpretado por Carlos Gardel, presente na trilha sonora. Em um livro de entrevistas lançado no Brasil em 2008, Conversas com Almodóvar, ele fala que esse filme é uma espécie de “ajuste de contas” necessário com sua infância, uma espécie de produção necessária para ele procurar novos voos. O diretor busca um retorno ao passado, parecendo inspirar-se em suas próprias memórias. Almodóvar, nasceu em La Mancha, que também é a cidade natal das protagonistas.  Assim, através de suas personagens, ele parece exorcizar seus próprios fantasmas da infância, dos parentes já idosos e da morte dos pais.

A história une o cômico, o dramático e o realismo fantástico. Raimunda (Cruz), a protagonista, trabalha como faxineira no aeroporto de Madri para sustentar o marido desempregado e a filha adolescente. Sole (Dueñas), sua irmã mais velha, trabalha em casa, onde instalou um salão de beleza. Ambas visitam rotineiramente o túmulo da mãe Irene (Maura), que morreu em um incêndio causado pelo calor e pelos fortes ventos da região. Certo dia, Irene reaparece. Inicialmente, só Sole a vê, mas na verdade é com Raimunda que ela tem assuntos pendentes a acertar.

Almodóvar aborda a relação de cumplicidade, separação e vínculo entre mulheres de uma mesma família, três gerações que, de alguma forma, tiveram problemas com os homens. Cabe às mulheres o papel de cuidar e proteger a família, inclusive da violência masculina. Em Volver, o diretor constrói um subtexto elaborado a partir do tema do abuso sexual, já abordado em Má Educação (2004), mas agora pelo viés feminino. O foco sob os sentimentos de medo, culpa e vergonha servem de desbobramentos para o roteiro que situa esse tema delicado construido a partir de uma linha tênue entre o melodrama e a comédia, predominando o tom leve e descontraído, mas que ganha intensidade no desfecho.

As atrizes, com destacadas atuações, desempenham personagens típicas dos filmes de Almodóvar, misturando extravagância, força e sensibilidade. Os planos de filmagem são bem próximos aos personagens, geralmente em lugares fechados, com destaque para certos closes que valorizam a beleza de Penélope Cruz.

Uma característica do cinema de Almodóvar é realizar homenagens a história do cinema, rememorando e retornando as suas paixões de infância, adolescência e madurez. Neste filme ele cita a obra Belíssima (1951), de Luchino Visconti que também trata a relação entre mãe e filha, o que constitui um belo elo temático entre os filmes.

Sim, Volver é uma obra com teor novelesco e adocicado. Sim, é um filme que não agradará a todos. Sim, é uma obra muito mais destinada a fãs do diretor. Sim, o filme tem qualidades, tem um bom ritmo, tem o sempre destacado uso das cores e tem uma boa história. Sim vale a pena ser visto porque Almodóvar é mestre em tocar em sentimentos e afetos que envolvem experiências profundas de cuidado e proteção. E sim, este também é um post de ajuste de contas com o cinema deste diretor espanhol, mas não me peçam para falar mais… por hora.

Quando e Onde ver:
Dia 9 de Abril, 19 h, com comentários do professor Guilherme Rodrigues Passamani.
21º Ciclos de Cinema Histórico: Mulheres à Beira de uma Sessão de Cinema.
Auditório do CCSH – Centro; Rua Floriano Peixoto, 1184
Santa Maria, RS.
Entrada Franca

Macc Avaliação: 8

Dona Flor e seus Dois Maridos: menage à trois à baianês

Posted in Ciclo de Cinema Histórico, Comédia, Romance on 07/04/2009 by cinemacc

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Dona Flor e seus Dois Maridos (Dona Flor e seus Dois Maridos, BRA, 110 min., 1976). Direção: Bruno Barreto. Roteiro: Bruno Barreto; Eduardo Coutinho; Leopoldo Serran. Fotografia: Murilo Salles. Música: Francis Hime; Chico Buarque de Hollanda. Elenco: Sonia Braga; José Wilker; Mauro Mendonça; Dinorah Brillanti; Nelson Xavier.

 

Premiações: BAFTA: Indicado Revelação (Sonia Braga). Golden Globes®: Indicado Filme Estrangeiro. Gramado Festival: Melhor Direção; Trilha Sonora; Prêmio do Júri Designer de Produção. Indicado Filme.

 

Sou um apreciador da literatura de Jorge Amado. Seu livro Capitães de Areia está entre os meus favoritos dos romances nacionais. A novela A morte e a morte de Quincas Berro D’Água é um dos textos mais agradáveis e engraçados que li. E os romances com foco sobre a mulher… bem, destes eu li apenas Dona Flor e seus Dois Maridos. Talvez por falta de tempo, ou por outras leituras mais urgentes, Gabriela: Cravo e Canela, Tereza Batista Cansada de Guerra e Tieta do Agreste ainda são livros que, num momento de retorno à ficção do mestre baiano, degustarei no futuro.

Mas o que me torna a tratar de Jorge é a ligação de sua obra ao cinema, no caso Dona Flor e Seus Dois Maridos, romance escrito em 1966. Não cairei no erro de dizer que o livro é infinitamente superior, até porque o filme tem qualidades próprias de sua arte. Mas cabe esclarecimentos, que minha paixão literária (talvez não tão grande quanto minha paixão cinematográfica) faz com que eu tome a liberdade de explicar.

O trabalho de Jorge Amado é um exercício de criatividade que apenas no campo literário é permitido encontrar. Logo na epígrafe temos citações que caracterizam a personalidade de cada protagonista: “Deus é gordo” (Revelação de Vadinho ao retornar da morte); “Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar” (Dístico na parede da farmácia do doutor Teodoro Madureira); “Ai!” (Suspiro de dona Flor); em meio a eles “A terra é azul” (célebre frase de Gagarin após o primeiro voo espacial, confirmando o espaço do real e da verossimilhança que adota Jorge, mesmo que faça uso do Realismo fantástico ao trazer da morte Vadinho, o mulherengo ‘incontornável’).

Só observando esses elementos, tem-se noção de que estamos diante de um retrato cômico e ao mesmo tempo tipicamente popular. A composição de uma narrativa que alterna descrições do cotidiano e cenas realistas da vida boêmia da Salvador dos anos 1940, pontuada por passagens reveladoras sobre comida e remédios (necessidades e prazeres do ser humano), acentua o tom nostálgico e ao mesmo tempo peculiar do povo Baiano.

O texto se divide em partes: a primeira revelando a morte, o velório e o enterro de Vadinho, primeiro marido de dona Flor; A segunda e terceira retrata o tempo de viuvez de Flor; A quarta, o casamento com o doutor Teodoro Madureira; E a quinta parte o conflito entre “espírito e matéria” (que o próprio Jorge Amado afirma que situações como essa somente são possíveis de acontecer na cidade da Bahia, acreditando quem quiser… e, esse humilde blogueiro, particularmente, acredita).

Dez anos depois do lançamento do livro, Bruno Barreto, em um lance comercial de mestre, lança o filme que narra a história de Vadinho, Flor e Teodoro, ao som de uma trilha sonora muito apropriada composta por Francis Hime e por Chico Buarque. Bom, para deixar claro a sinopse do filme, que segue os principais momentos do livro, é essa: Vadinho (Wilker) morre repentinamente no carnaval de 1943, deixando Dona Flor (Braga), sua mulher, desconsolada. Mas depois de um tempo, Flor casa com um farmacêutico, Teodoro Madureira (Mendonça), que é totalmente o oposto de Vadinho. Flor chama tanto pelo seu falecido marido na cama que ele acaba aparecendo.

As interpretações dos protagonistas são bastante envolventes e na medida certa das personagens. A mulher, mais uma vez, aparece como uma máquina de sexo – e Sonia Braga, no auge!, reforça essa tendência. Mas ainda assim, é-lhe permitido a escolha e a possibilidade de encontrar a felicidade completa, na afetividade, no furor carnal e nos negócios. Isso tudo revelado no cômico e no riso que tende a tornar insólito os relacionamentos, beirando a situações chanchadescas dos anos 1950, com o provocativo da pornochancada dos anos 1970.

A história, que se passa na década de 1940, pincela algumas referências aos integralistas, por exemplo, mas isso se perde no esquema de redemoinho narrativo do diretor. É preciso dizer que, ao lançar o filme em tempos de ditadura civil-militar e da pornochanchada que povoam os cinemas nacionais, contra a forte concorrência do cinema de Hollywood, o filme de Barreto é um êxito comercial de proporções antes nunca observadas para produções brasileiras. O que nos leva a conclusões talvez rasas, talvez óbvias, talvez inoportunas para o horário, talvez verdadeiras, mas certamente necessárias de serem ditas: o público expectador brasileiro aprecia boas histórias, principalmente as cômicas, com uma dose grande sexualidade à flor da pele. Confira!

Quando e Onde ver:
Dia 7 de Abril de 2009, 19h, com comentários dos acadêmicos do Curso de História (UNIFRA) Marcelo Santos Matheus e Max Pereira Ribeiro.
21º Ciclos de Cinema Histórico: Mulheres à Beira de uma Sessão de Cinema.
Auditório do CCSH – Centro; Rua Floriano Peixoto, 1184
Santa Maria, RS.
Entrada Franca

Macc Avaliação: 8

Siamo Donne ou cada mulher é uma mulher

Posted in Ciclo de Cinema Histórico, Comédia, Drama on 01/04/2009 by cinemacc

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Siamo Donne (Nós, as Mulheres, ITA, 95 min., 1953). Direção: Luchino Visconti; Roberto Rossellini; Gianni Franciolini; Alfredo Guarini; Luigi Zampa. Roteiro: Cesare Zavattini; Luigi Chiarini; Giorgio Prosperi; Suso Cecchi d’Amico. Fotografia: Otello Martelli; Gábor Pogány; Domenico Scala; Enzo Serafin. Música: Alessandro Cicognini. Elenco: Ingrid Bergman; Anna Magnani; Isa Miranda; Alida Valli; Anna Amendola.

 

Italianos e franceses realizaram muitos filmes episódicos durante as décadas de 1950 e 1960. Talvez as mais famosas produções sejam as compilações de segmentos: Ro.Go.Pa.G. (1963) dirigida por Jean-Luc Godard, Ugo Gregoretti, Pier Paolo Pasolini, Roberto Rossellini; Amore e rabbia (1969) de Marco Bellocchio, Bernardo Bertolucci, Jean-Luc Godard, Carlo Lizzani, Pier Paolo Pasolini, Elda Tattoli.  Mas também temos que lembrar, e destacar, que isso não se restrige a essa época já que temos as histórias de Contos de Nova York (1989), dirigidas por Martin Scorsese, Woody Allen e Francis Ford Coppola e, mais atualmente, o conjunto de curtas sobre o 11 de setembro em 11’09”01 – September 11 (2002) e também sobre a cidade de Paris, em Paris, eu te amo (2006).

Em se tratando do filme em questão, Nós, as mulheres, temos o retrato de atrizes importantes da cinematografia mundial, cada uma vivenciando algo do cotidiano, em situações cômicas e também reflexivas. A determinação, a força e a problematização das personagens é o ponto forte desta obra que reúne grandes diretores italianos.

O primeiro segmento se chama Concorso 4 Attrici 1 Speranza (‘Quatro Atrizes: uma esperança’), dirigido por Alfredo Guarini. A trama revela os bastidores de um concurso de moças que sonham em se tornarem em atrizes de cinema, centrando a trama no tom de competição e de desejo pelo sucesso.

Na sequência temos o episódio dirigido por Gianni Franciolini – Alida Valli, a bela e talentosa atriz que participou de filmes de Visconti, Antonioni e Clément e nesse curta-metragem revela-se bastante simples: ela tenta seduzir o noivo de sua camareira, valendo-se do seu status.

No episódio Ingrid Bergman, é mostrada, pela direção de seu marido na época Roberto Rossellini, em suas atividades cotidianas: cuidando dos filhos, preparando o almoço e recebendo visitas. Muito interessante a forma de abordagem da diva em situações do lar, e a comicidade da participação de uma galinha e de um cachorro na história chama a atenção.

Já em Isa Miranda, de Luigi Zampa, temos um drama de confissão em que ela lamenta o fato de ter abdicado à maternidade, para se dedicar à carreira de atriz. O curta revela a oposição entre profissão/desumanização e cotidiano/humanização, principalmente ao mostrar a situação da mãe/atriz.

Por fim, talvez o mais engraçado e mais curioso. Luchino Visconti dirige o episódio Anna Magnani, em que ela briga com um taxista, por causa de seu cachorrinho de estimação. Hilário!

As imagens das mulheres são enfocadas de maneira natural, o que dá credibilidade as histórias, mas ao mesmo tempo fica a dúvida sobre as suas atuações versus vivências, como propõe o projeto de Cesare Zavattini. Em todo caso é uma experiência cinematográfica original e interessante.

Quando e Onde ver:
Dia 1º de Abril de 2009, 19 h, com comentários da mestre em Integração Latino-Americana, bacharel em Direito e professora da FADISMA Cristine Zanella.
21º Ciclos de Cinema Histórico: Mulheres à Beira de uma Sessão de Cinema.
Auditório do CCSH – Centro; Rua Floriano Peixoto, 1184
Santa Maria, RS.
Entrada Franca

Macc Avaliação: 8

Gentlemen Prefer Blondes ou quando as mulheres têm vez

Posted in Ciclo de Cinema Histórico, Comédia, Musical on 31/03/2009 by cinemacc

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Gentlemen Prefer Blondes (Os Homens Preferem as Loiras, EUA, 91 min., 1953) Direção: Howard Hawks. Roteiro: Charles Lederer. Fotografia: Harry J. Wild. Música: Lionel Newman; Eliot Daniel; Hoagy Carmichael. Elenco: Jane Russell; Marilyn Monroe; Charles Coburn; Elliott Reid; Tommy Noonan.

 
Uma voz doce, leve, quase um sussurro. Lábios carnudos, corpo curvilíneo,uma delicadeza e um glamour históricos. Um rosto marcado pela estonteante beleza, mas também pela arte que se tornou através de Andy Warhol. Inocência e sensualidade juntas. Bom, vocês sabem de quem estou falando. Talvez do nome mais mítico entre as atrizes hollywoodianas: Marilyn Monroe, a loira.

Uma cena de faroeste histórica criada por Howard Hughes (o ‘aviador’): seios ressaltados como armas, lançados, destacados e provocativos de uma sexualidade ofensiva, mas puramente feminina. Depois disso deu nome a dois montes no Alasca. Corpo escultural e beleza exótica. Mas talvez, agora, o nome dessa atriz não seja tão comum aos olhos de nossos leitores: Jane Russell, a morena.

Em todo caso, a química da união destas atrizes em Os homens preferem as loiras é das mais brilhantes das comédias musicais hollywoodianas. O que torna inesquecível esta parceira é, além das belezas das atrizes, as qualidades que ambas oferecem à história, desenvolvida pelo renomado diretor Howard Hawks.

A trama traz a loira Lorelei (Marilyn Monroe) e morena Dorothy (Jane Russell), duas belas dançarinas que embarcam em um cruzeiro rumo à Paris, bancado pelo noivo de Lorelei, Gus. A loira valoriza o dinheiro, enquanto a morena não pensa da mesma forma. Porém, a idéia da viagem, é na verdade uma estratégia do futuro sogro de Lorelei provar ao filho que a moça esta interessada apenas na fortuna dele, contratando um detetive particular para tentar confirmar sua desconfiança, o que acaba por criar inúmeras situações confusas.

Os ótimos números musicais possuem uma coreografia magnífica, que são entoadas por canções que fizeram a história no cinema como o ponto alto do filme em que Marilyn interpreta o clássico “Diamonds Are A Girl’s Best Friend” no palco do “Café Chez Louis” em Paris.

Baseado na comédia musical de Anita Loos e Joseph Fields, Os homens preferem as loiras teve sua primeira adaptação cinematográfica em 1928, dirigida por Malcolm St. Clair, e, bem depois, em 1998, fora produzido um remake para a televisão. Mas o que chama a atenção no histórico dos filmes ligados ao clássico de Hawks é uma produção de 1955, com a participação de Jane Russell: Gentlemen Marry Brunettes (Os homens se casam com as morenas), dirigida por Richard Sale. Trata-se de uma comédia musical, baseada em outra obra de Anita Loos, em que Lorelei Lee volta casada com um milionário, mas mesmo assim procura arrumar a vida da amiga morena. Contudo sem Marilyn o encanto da parceria se perde, assim como o filme de Sale.

 
A obra é notável pelo ritmo cômico que emprega, influindo na atenção do espectador do início ao fim. E para encerrar uma frase (entre tantas possíveis) dita pela personagem de Marilyn, Lorelei, para Sir Francis “Piggy” Beekman, ‘o homem dos diamantes’, e que simboliza o seu sentido de vida: “It’s sweet for a man to kiss your hand, but a string of pearls lasts forever.” (“É doce para um homem beijar sua mão, mas um colar de pérolas dura para sempre.”). Vale pela música, pela comédia, por Marilyn e por Jane. Confira!

 
Quando e Onde ver:
Dia 31 de Março, 19 h, com comentários da historiadora Paula Rafaela da Silva.
21º Ciclos de Cinema Histórico: Mulheres à Beira de uma Sessão de Cinema.
Auditório do CCSH – Centro; Rua Floriano Peixoto, 1184
Santa Maria, RS.
Entrada Franca

Macc Avaliação: 9

21º Ciclo de Cinema Histórico: Mulheres à beira de uma sessão de cinema

Posted in Ciclo de Cinema Histórico, Comédia, Drama, Romance on 26/03/2009 by cinemacc

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Antes de continuar a retrospectiva das temporadas 3 e 4 dos Ciclos de cinema Histórico, partimos para o presente. Hoje, começa mais uma jornada cinematográfica no Auditório do Centro de Ciências Sociais e Humanas na Universidade Federal de Santa Maria. A quinta temporada tem como tema de seu primeiro ciclo o universo feminino tratado sob diversos prismas.

Com o objetivo de abordar e colaborar nas discussões sobre os estudos de gênero e o papel da mulher tanto nas pesquisas quanto na sociedade contemporânea, o ciclo Mulheres à beira de uma sessão de cinema revelará particularidades que são necessárias em serem discutidas. E o cinema, enquanto história e enquanto objeto, é um dos principais veículos de comunicação que expõe, representa e caracteriza aspectos sobre o universo feminino.

Então, caros leitores deste blog, compareçam às sessões, a entrada é franca, os filmes são históricos e os comentários o de melhor.

Eis a programação completa:

26 de Março de 2009, 19h
Die Büchse der Pandora (A Caixa de Pandora)
Direção: Georg Wilhelm Pabst.
Alemanha, 1929, 110 min.
Com: Louise Brooks; Fritz Kortner; Francis Lederer; Carl Goetz; Gustav Diessl.
Comentários: Cristian Dias Barbosa.
Sinopse: Clássico do cinema mudo. Lulu (Brooks) é uma amante de um editor de jornal que, depois de casar-se com ele, acaba por provocar uma série de acontecimentos trágicos, que a partir desse momento rondarão sua vida.
Macc Avaliação: 9

30 de Março de 2009, 19h
Dark Victory (Vitória Amarga)
Direção: Edmund Goulding.
Estados Unidos, 1939, 104 min.
Com: Bette Davis; George Brent; Humphrey Bogart; Geraldine Fitzgerald; Ronald Reagan.
Comentários: Viviane Bandinelli.
Sinopse: Judith Traherne (Davis) é uma jovem rica da sociedade. Um dia, seu médico Frederick Steele (Brent) faz um terrível diagnóstico: ela tem um tumor no cérebro. Submetida a uma cirurgia, aparentemente ela se recupera. E também se apaixona pelo cirurgião. Mas Steele conta à sua secretária (Fitzgerald) que o tumor irá reaparecer e Judith poderá morrer. Ao saber disso, ela entra em profunda depressão. Mas o médico Steele tenta de todas as formas salvar a vida da jovem.
Premiações: Academy Awards®: Indicado: Filme; Atriz (Bette Davis); Trilha Sonora.
Macc Avaliação: 8,5

31 de Março de 2009, 19h
Gentleman Prefer Blondes (Os Homens Preferem as Loiras)
Direção: Howard Hawks.
Estados Unidos, 1953, 91 min.
Com: Jane Russell; Marilyn Monroe; Charles Coburn; Elliott Reid; Tommy Noonan.
Comentarista: Paula Rafaela da Silva.
Sinopse: Lorelei (Marilyn Monroe) e Dorothy (Jane Russell) são duas belas dançarinas que embarcam em um cruzeiro rumo à Paris, bancado pelo noivo de Lorelei. Porém, seu sogro contrata um detetive particular para tentar confirmar sua desconfiança de infidelidade da moça, criando inúmeras situações confusas.
Macc Avaliação: 9

1º de Abril de 2009, 19h
Siamo Donne (Nós, as Mulheres)
Direção: Luchino Visconti; Roberto Rossellini; Gianni Franciolini; Alfredo Guarini; Luigi Zampa.
Itália, 1953, 95 min.
Com: Ingrid Bergman; Anna Magnani; Isa Miranda; Alida Valli; Anna Amendola.
Comentários: Cristine Zanella.
Sinopse: O roteirista Cesare Zavattini idealizou esse divertido filme em episódios que mostra atrizes famosas interpretando a si mesmas em situações cotidianas: ‘Quatro Atrizes: uma esperança’ mostra os bastidores de um concurso de moças que sonham em se tornarem em atrizes de cinema; Alida Valli tenta seduzir o noivo de sua camareira; Ingrid Bergman é mostrada em suas atividades cotidianas: cuidando dos filhos, preparando o almoço e recebendo visitas; Isa Miranda lamenta o fato de ter abdicado à maternidade, para se dedicar à carreira de atriz; Anna Magnani briga com um taxista, por causa de seu cachorrinho de estimação.
Macc Avaliação: 8

02 de Abril de 2009, 19h
Johnny Guitar (Johnny Guitar)
Direção: Nicholas Ray.
Estados Unidos, 1954, 110 min.
Com: Joan Crawford; Sterling Hayden; Mercedes McCambridge; Scott Brady; Ward Bond; Ben Cooper; Ernest Borgnine; John Carradine.
Comentários: Natacha Käfer.
Sinopse: Dona de um saloon (Crawford) vê suas esperanças renascerem com a possibilidade de a ferrovia passar próximo ao seu comércio. Mas ela tem de resolver um problema: a hostilidade do xerife local e os capangas de sua inimiga mortal (McCambridge), uma fazendeira que a quer fora da cidade. Para enfrentar as adversidades, numa luta sangrenta que está por começar, ela conta com a ajuda do antigo amor Johnny Guitar (Hayden), músico e pistoleiro.
Macc Avaliação: 9

03 de Abril de 2009, 19h
Et Dieu… Créa la Femme (… E Deus Criou a Mulher)
Direção: Roger Vadim.
França/Itália, 1956, 95 min.
Com: Brigitte Bardot; Curd Jürgens; Jean-Louis Trintignant; Jane Marken; Jean Tissier.
Comentários: Marlete Golke; Vinicius Bertolo.
Sinopse: Juliett (Bardot) é uma garota órfã de 18 anos, sedenta de prazer. Seu marido Michel (Trintignant) fará de tudo para controlá-la, mas esta não será uma tarefa fácil.
Macc Avaliação: 8,5

07 de Abril de 2009, 19h
Dona Flor e seus Dois Maridos (Dona Flor e seus Dois Maridos)
Direção: Bruno Barreto.
Brasil, 1976, 110 min.
Com: Sonia Braga; José Wilker; Mauro Mendonça; Dinorah Brillanti; Nelson Xavier.
Comentários: Marcelo Santos Matheus; Max Pereira Ribeiro.
Sinopse: Vadinho (Wilker) morre repentinamente no carnaval de 1943, deixando Dona Flor (Braga), sua mulher, desconsolada. Mas depois de um tempo, Flor casa com um farmacêutico, Teodoro Madureira (Mendonça), que é totalmente o oposto de Vadinho. Flor chama tanto pelo seu marido na cama que o finado aparece.
Premiações: BAFTA: Indicado Revelação (Sonia Braga). Golden Globes®: Indicado Filme Estrangeiro. Gramado Festival: Melhor Direção; Trilha Sonora; Prêmio do Júri Designer de Produção. Indicado Filme.
Macc Avaliação: 8

08 de Abril de 2009, 19h
The Hours (As Horas)
Direção: Stephen Daldry.
Estados Unidos/Inglaterra, 2002, 114 min.
Com: Nicole Kidman; Julianne Moore; Meryl Streep; Stephen Dillane; Miranda Richardson; John C. Reilly; Toni Collette; Ed Harris.
Comentarista: Lenine Ribas Maia.
Sinopse: 1929. Virginia Woolf (Kidman) está começando a escrever seu livro, “Mrs. Dalloway”, sob os cuidados de seus médicos e familiares. 1951. Laura Brown (Moore) está preparando algo para o aniversário de seu marido. Entretanto, encontra-se ocupada pois está lendo o livro escrito por Virginia, o mesmo “Mrs. Dalloway”. 2001. Clarissa Vaughn (Streep) está preparando uma festa para seu melhor amigo (Harris), um famoso autor que está morrendo de AIDS. Sendo tomada em apenas um dia, todas as três histórias estão interligadas com o livro mencionado: cada qual de uma maneira intrigantemente distinta.
Premiações: Academy Awards®: Melhor Atriz (Nicole Kidman). Indicado: Filme; Diretor; Figurino; Edição; Ator Coadjuvante (Ed Harris); Atriz Coadjuvante (Julianne Moore); Trilha Sonora; Roteiro Adaptado. BAFTA: Melhor Atriz (Nicole Kidman); Trilha Sonora. Indicado Filme; Filme Britânico; Edição; Maquiagem; Roteiro Adaptado; Ator Coadjuvante (Ed Harris); Atriz Coadjuvante (Julianne Moore); Atriz Coadjuvante (Meryl Streep); Diretor. Berlin Festival: Prêmio do Júri dos leitores de ‘Berliner Morgenpost’ (Stephen Daldry); Urso de Prata (Nicole Kidman; Meryl Streep; Julianne Moore). Indicado: Urso de Ouro. César Awards: Indicado Filme Estrangeiro. Golden Globes®: Melhor Filme – Drama; Atriz (Nicole Kidman). Indicado: Diretor; Roteiro; Trilha Sonora; Ator Coadjuvante (Ed Harris); Atriz Coadjuvante (Meryl Streep). Grammy: Indicado Trilha Sonora.
Macc Avaliação: 9,5

09 de Abril de 2009, 19h
Volver (Volver)
Direção: Pedro Almodóvar.
Espanha, 2006, 121 min.
Com: Penélope Cruz; Carmen Maura; Lola Dueñas; Blanca Portillo; Yohana Cobo; Antonio de la Torre; Chus Lampreave.
Comentarista: Guilherme Rodrigues Passamani.
Sinopse: Raimunda (Cruz), que trabalha como faxineira no aeroporto de Madri para sustentar o marido desempregado e a filha adolescente. Sole (Dueñas), sua irmã mais velha, trabalha em casa, onde instalou um salão de beleza. Ambas visitam rotineiramente o túmulo da mãe Irene (Maura), que morreu em um incêndio causado pelo calor e pelos fortes ventos da região. Certo dia, Irene reaparece. Inicialmente, só Sole a vê, mas na verdade é com Raimunda que ela tem assuntos pendentes a acertar.
Premiações: Academy Awards®: Indicado Atriz (Penélope Cruz). BAFTA: Indicado Atriz (Penélope Cruz); Filme Estrangeiro. Cannes Festival: Melhor Elenco Feminino; Roteiro. Indicado Palma de Ouro. César Awards: Indicado Filme Estrangeiro. Golden Globes®: Filme Estrangeiro; Atriz (Penélope Cruz).
Macc Avaliação: 8

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Burn After Reading e o universo interligado dos Coen

Posted in Comédia on 25/02/2009 by cinemacc

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Burn After Reading (Queime Depois de Ler, EUA/FRA/ING, 2008) Direção: Joel Coen; Ethan Coen. Roteiro: Joel Coen; Ethan Coen. Fotografia: Emmanuel Lubezki. Música: Carter Burwell. Fotografia:. Elenco: John Malkovich; Frances McDormand; George Clooney; Brad Pitt; Tilda Swinton; Richard Jenkins; David Rasche; J. K. Simmons.

2 Indicações Golden Globes®: Filme – Comédia/Musical, Atriz – Comédia/Musical (Frances McDormand).

3 Indicações BAFTA®: Ator Coadjuvante (Brad Pitt), Atriz Coadjuvante (Tilda Swinton), Roteiro Original.

 

Malucos, confusos, originais, repetitivos, inteligentes, chatos, mórbidos, brilhantes. São definições possíveis aos diretores, produtores, roteiristas e editores Joel e Ethan Coen. Seus filmes possuem um tanto das adjetivações expostas acima, mas a tonalidade que eles dão a cada filme, ainda que esse se pareça com um anterior, é digna de uma capacidade irresistível de aguçar a curiosidade do espectador.

Revi hoje o complexo-cômico-negro Queime Depois de Ler. E penso se tratar de um filme dos irmãos numa grande fase de suas carreiras. Após o genial Onde os Fracos Não Têm Vez, o nível inventivo foi mantido. Os diretores retomam as parcerias com dois grandes astros: Frances McDormand e George Clooney, que estão bem na obra, mas abaixo das atuações de Brad Pitt (exalando idiotice, no bom sentido) e J. K. Simmons (um chefe da CIA por demais confuso com a falta de sentido da história).

Mas que história? Pois bem, a trama é ao mesmo tempo simples e complexa porque o roteiro está construindo justamente no acaso que liga, desliga e interliga as personagens. Poderíamos resumir da seguinte forma: Osbourne Cox (John Malkovich) é um analista que trabalha para a CIA, mas é demitido por ser acusado de estar envolvido com bebidas. Isso o faz começar a escrever um livro de memórias. Ao mesmo tempo, Katie (Tilda Swinton), sua esposa, que está tendo um caso com Harry Pfarrer (George Clooney), procura entender os motivos da demissão. Paralelamente a essa história, Linda Litzke (Frances McDormand), funcionária de uma rede de academias, faz planos para uma grande cirurgia plástica que deseja realizar, mas que é por demais cara. Ela tem em Chad Feldheimer (Brad Pitt), um professor da academia, seu melhor amigo. Até que um dia um CD perdido cai nas mãos de Linda e Chad, entregue por um faxineiro da academia. Ao perceberem que se trata de material confidencial, eles ligam para Osbourne Cox tentando conseguir dinheiro para evitar que seu conteúdo seja divulgado. E a partir daí temos um liquidificador ligado com idéias que começam a se entrelaçar e nos leva a entender a trama.

O suspense, acentuado pela trilha sonora, guia a narrativa, que é, na verdade, cômica, pois as situações são hilárias, com uma série de aberrações e críticas sutis a sociedade capitalista mais preocupada com o ter e com o ver do que com o ser e sentir. Queime Depois de Ler poderia ser resumido a uma idéia: fazer o possível para se conseguir algo, mas seria muito dúbio imaginar que a série de histórias que se interligam possa se resumir a algo tão objetivo.

Então, não queime isso depois de ler, e até breve!

Macc Avaliação: 9