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6º Ciclo de Cinema Histórico: Intolerância e resistência

Posted in Ciclo de Cinema Histórico, Cinema e Política, Documentário, Drama on 10/03/2009 by cinemacc

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O 6º ciclo procurou tratar de um tema bastante espinhoso: as formas de intolerância e suas, consequentes, buscas de resistência pelos oprimidos. Ao se aproximar bastante da temática do gênero cinema político, os filmes exibidos neste evento visaram cobrir épocas distintas do século XX, bem como espaços geográficos amplos.A ditadura civil-militar, a tortura, os preconceitos, o controle e o descontrole de organizações mundiais e nacionais, as formas de totalitarismo e os conflitos recentes. O cinema proporciona mexer nas feridas abertas de certos temas que o homem, muitas vezes, nega-se a discutir ou relembrar.

As marcas de crimes contra a humanidade demoram a cicatrizar e enquanto a história é escrita e produzida, o cinema tem também sua parcela de colaboração na representação artística e temática destes temas que se repetem, tempo a tempo, mesmo com exemplos de fracasso e sinais de alerta ligados.

Por outro lado, o papel da sétima arte também é dar visão e espaço a conflitos esquecidos pelo ocidente e talvez o melhor exemplo disto seja a produção de Hotel Ruanda que reavivou um absurdo genocídio, que estava sob o véu da história. Compreender, discutir e aprender isto também é cinema: várias lições de humanidade.

A programação deste ciclo foi esta:

03 de Julho de 2006. 19h
État de Siège (Estado de Sítio)
Direção: Constantin Costa-Gavras.
França/Alemanha/Itália, 1972, 120 min.
Com: Yves Montand; Renato Salvatori; O.E. Hasse; Jacques Weber; Jean-Luc Bideau.
Comentários: Oscar de Oliveira Siqueira.
Sinopse: Uruguai, década de 1970. O grupo Tupamaro sequestra o cônsul brasileiro e um oficial americano, membro de uma agência conhecida pela disseminação das práticas de tortura em polícias estrangeiras. O filme é um emblema da participação norte-americana nas ditaduras latino-americanas.
Premiações: BAFTA: Indicado Música. Golden Globes®: Indicado Filme em Língua Estrangeira.
Macc Avaliação: 9

07 de Julho de 2006. 19h
Kamchatka (Kamchatka)
Direção: Marcelo Piñeyro.
Argentina, 2002, 103 min.
Com: Ricardo Darín; Cecilia Roth; Héctor Alterio; Matías Del Pozo; Fernanda Mistral; Tomás Fonzi; Mónica Scapparone.
Comentários: Diorge Alceno Konrad.
Sinopse: Harry (Del Pozo) é uma criança com uma vida normal, na Argentina da década de 1970. Mas, quando seus pais começam a ser perseguidos pela ditadura argentina ele e sua família são obrigados a largar todos os seus bens e fugir para uma fazenda. Um filme sensível e simbólico.
Macc Avaliação: 9,5

10 de Julho de 2006. 19h
Before Night Falls (Antes do Anoitecer)
Direção: Julian Schnabel.
Estados Unidos, 2000, 125 min.
Com: Javier Bardem; Olivier Martinez; Diego Luna; Lia Chapman; Sean Penn; Johnny Depp.
Comentários: Guilherme Rodrigues Passamani.
Sinopse: Reynaldo Arenas (Bardem) fora educado em meio a Revolução Cubana e premiado nacionalmente pelo seu trabalho de escritor. Mas ele acaba sendo preso pelo regime comunista por ser homossexual e exilado de seu país-natal, morando durante muitos anos em Nova York.
Premiações: Academy Awards®: Indicado Ator (Javier Bardem). Golden Globes®: Indicado Ator (Javier Bardem). Independent Spirits: Melhor Ator (Javier Bardem). Indicado: Filme; Diretor; Fotografia. Venezia Festival: Grande Prêmio do Júri (Julian Schnabel); Menção Honrosa OCIC (Julian Schnabel); Melhor Trilha Sonora; Copa Volpi de Melhor Ator (Javier Bardem). Indicado Leão de Ouro.
Macc Avaliação: 8

11 de Julho de 2006. 19h
Hotel Rwanda (Hotel Ruanda)
Direção: Terry George.
Inglaterra/Estados Unidos/Itália/África do Sul, 2004, 120 min.
Com: Don Cheadle; Sophie Okonedo; Nick Nolte; Antonio David Lyons; Desmond Dube; Joaquin Phoenix.
Comentários: Deisy de Lima Ventura
Sinopse: Ruanda, década de 1990. Em apenas três meses, um milhão de pessoas foram brutalmente assassinadas. Um homem, neste contexto, munido de coragem e amor à sua família, faz de tudo para escapar vivo e salvar seus entes queridos.
Premiações: Academy Awards®: Indicado Roteiro – Original; Ator (Don Cheadle); Atriz Coadjuvante (Sophie Okonedo). BAFTA: Indicado Roteiro – Original. Golden Globes®: Indicado Filme – Drama; Ator (Don Cheadle); Canção (Million Voices, de Wyclef Jean, Jerry ‘Wonder’ Duplessis, Andrea Guerra). Grammy: Indicado Canção (Million Voices, de Wyclef Jean, Jerry ‘Wonder’ Duplessis, Andrea Guerra).
Macc Avaliação: 9

12 de Julho de 2006. 19h
No Man’s Land (Terra de Ninguém)
Direção: Danis Tanovic.
Bósnia-Herzegovina/Eslovênia/Itália/França/Inglaterra/Bélgica, 2001, 93 min.
Com: Branko Djuric; Rene Bitorajac; Filip Sovagovic; Georges Siatidis; Katrin Cartlidge.
Comentários: Ricardo Seitenfus.
Sinopse: Guerra da Bósnia. Dois soldados, um sérvio e outro bósnio, acabam isolados em uma pequena trincheira, junto com um terceiro soldado, que está caído sobre uma mina – sendo que ninguém pode matar ninguém ali, por estarem numa “terra de ninguém”. Todas as partes do conflito ficam completas com a chegada de mais duas pessoas: um representante da ONU, para tentar resolver o impasse, e uma jornalista, para provocar sensacionalismo.
Premiações: Academy Awards®: Melhor Filme em Língua Estrangeira. Cannes Festival: Melhor Roteiro. Indicado Palma de Ouro. César Awards: Melhor Primeiro Filme (Danis Tanovic). Indicado Roteiro. Golden Globes®: Melhor Filme em Língua Estrangeira. São Paulo International Film: Melhor Filme Estrangeiro.
Macc Avaliação: 9

13 de Julho de 2006. 19h
La Battaglia di Algeri (A batalha de Argel)
Direção: Gillo Pontecorvo.
Argélia/Itália, 1966, 117 min.
Com: Brahim Hadjadj; Jean Martin; Yacef Saadi; Samia Kerbash; Ugo Paletti.
Comentários: Icaro Bittencourt.
Sinopse: Argélia contra França, na luta por sua independência. Esta guerra é vista dos dois lados da moeda: a legião estrangeira francesa que saiu derrotada do Vietnã e o povo da Argélia, que busca sua liberdade. O filme revela o lado mais sujo do conflito.
Premiações: Academy Awards®: Indicado Filme em Língua Estrangeira; Diretor; Roteiro Original. BAFTA: Prêmio UN. Venezia Festival: Leão de Ouro; Prêmio FIPRESCI (Gillo Pontecorvo).
Macc Avaliação: 10

14 de Julho de 2006. 19h
Machuca (Machuca)
Direção: Andrés Wood.
Chile/Espanha, 2004, 120 min.
Com: Ariel Mateluna; Matías Quer; Manuela Martelli; Ernesto Malbran; Aline Küppenheim; Federico Luppi; Francisco Reyes.
Comentários: André Átila Fertig.
Sinopse: Chile, década de 1970. Gonzalo Infante (Quer) é um garoto que estuda no conceituado Colégio Saint Patrick, em Santiago. O padre e diretor McEnroe (Malbran), inspirado no governo de Salvador Allende, decide implementar uma política que faça com que alunos pobres também estudem lá. Um deles é Pedro Machuca (Mateluna) que, assim como os demais, fica deslocado em meio aos antigos alunos da escola, até que conhece Infante. Uma amizade de contrastes logo nascerá entre os dois garotos.
Macc Avaliação: 9

20 de Julho de 2006. 19h
Den Blodiga Tiden (Minha Luta)
Direção: Erwin Leiser.
Suécia/Alemanha. 1960, 117 min.
Com: Heinrich Brüning; Marinus van der Lubbe; Franz von Epp; Claude Stephenson (Narrador).
Comentários: Glaucia Vieira Ramos Konrad.
Sinopse: Documentário produzido com filmagens alemãs, descobertas nos arquivos secretos da guarda de elite nazista e escondidas pelo próprio Goebbels por serem muito fortes. O filme vai fundo na ascensão e queda do terceiro Reich.
Macc Avaliação: 8

21 de Julho de 2006. 19h
Soy Cuba (Sou Cuba)
Direção: Mikhail Kalatozov.
Cuba/União Soviética, 1964, 140 min.
Com: Sergio Corrieri; José Gallardo; Raúl García; Luz María Collazo; Jean Bouise.
Comentários: Roberto Miotto Flech.
Sinopse: Quatro histórias dramatizam o processo que culminou com a Revolução Cubana, mostrando as diversas facetas dos envolvidos, desde a população rural até os estudantes universitários.
Premiações: Independent Spirits: Indicado Filme Estrangeiro.
Macc Avaliação: 8

09 de Agosto de 2006. 19h
Der Untergang (A Queda – As Últimas Horas de Hitler)
Direção: Oliver Hirschbiegel.
Alemanha/Itália/Austria, 2004, 156 min.
Com: Bruno Ganz; Alexandra Maria Lara; Corinna Harfouch; Ulrich Matthes; Juliane Köhler; Christian Berkel.
Comentários: Gilvan Odival Veiga Dockhorn.
Sinopse: As últimas horas da vida de Adolf Hitler são o tema deste filme. A obra impacta pelo tom humano dado ao ditador nazista que foi um dos responsáveis pela morte de seis milhões de judeus em campos de concentração. Alguns elementos se sobressaltam como: a fidelidade com as filmagens reais; o ambiente tenso nas suas últimas decisões; e o seu suicídio.
Premiações: Academy Awards®: Indicado Filme em Língua Estrangeira.
Macc Avaliação: 8

10 de Agosto de 2006. 19h
O Que É Isso, Companheiro? (O Que É Isso, Companheiro?)
Direção: Bruno Barreto.
Brasil/Estados Unidos, 1997, 118 min.
Com: Pedro Cardoso; Luiz Fernando Guimarães; Fernanda Torres; Cláudia Abreu; Nelson Dantas; Matheus Nachtergaele; Alan Arkin.
Comentários: Fabricio Flores Fernandes.
Sinopse: Após o AI-5, em 1968, é decretado o fim da liberdade de imprensa e dos direitos civis. Neste período, estudantes entram para um grupo de militantes, abraçando a luta armada clandestinamente em busca de libertar prisioneiros que estão sendo torturados nos porões da Ditadura Militar. Até que um plano é bolado para seqüestrar o embaixador norte-americano. O filme é bastante lacônico e conserva certos erros históricos para conservar certas imagens intocadas.
Premiações: Academy Awards®: Indicado Filme em Língua Estrangeira. Berlin Festival: Indicado Urso de Ouro.
Macc Avaliação: 4

11 de Agosto de 2006. 19h
Pra frente Brasil (Pra Frente Brasil)
Direção: Roberto Farias.
Brasil, 1983, 104 min.
Com: Antônio Fagundes; Natália do Vale; Reginaldo Farias; Cláudio Marzo; Elizabeth Savalla; Carlos Zara.
Comentários: Julio Ricardo Quevedo dos Santos.
Sinopse: 1970. O Brasil torce e vibra com a seleção de futebol no México, enquanto prisioneiros políticos são torturados nos porões da ditadura militar e inocentes são vítimas desta violência. Todos estes acontecimentos são vistos pela ótica de uma família quando um dos seus integrantes, um pacato trabalhador da classe média, é confundido com um ativista político e “desaparece”.
Premiações: Berlin Festival: Prêmio C.I.C.A.E. (Roberto Farias); Prêmio OCIC – Especial recomendação (Roberto Farias). Indicado Urso de Ouro. Gramado Festival: Kikito de Melhor Filme; Montagem.
Macc Avaliação: 7

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No próximo post: o sétimo ciclo.
Até breve!

4º Ciclo de Cinema Histórico: Sessões especiais de política

Posted in Ciclo de Cinema Histórico, Cinema e Política, Documentário, Drama on 08/03/2009 by cinemacc

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O quarto ciclo surgiu em decorrência do sucesso dos três primeiros. Ele não estava no planejamento anual do projeto, mas a sequência se deu de maneira bastante natural. A organização desse evento estipulou a realização das exibições em uma semana, visando provocar e aguçar a curiosidade dos participantes para atividades futuras. E foi um sucesso, com uma média de 74 pessoas por sessão, a mais alta até então.

A seleção dos filmes levou em conta os temas sociais do cinema político, exibindo obras de diretores alinhavados com suas tendências ideológicas e com suas preocupações nacionais.

Assim, tanto o assunto histórico, quanto o cultural, estiveram lado a lado com obras marcadamente emblemáticas na cinematografia mundial, seja pela força dos temas, pela caracterização dos acontecimentos ou pela representação político-ideológica levada à sétima arte.

Alguns filmes tiveram momentos especiais: como a sessão de Sacco e Vanzetti em que Carlos Pires, membro da SEDUFSM, pode assisti-lo em uma exibição pública, após a censura que a obra sofreu na década de 1970; e a sessão de La Noche de Los Lápices em que o público aplaudiu o filme com grande fervor após a exibição. São momentos que ficarão na história dos ciclos, e quem participou e viu, certamente, se lembrará.

Os cinco filmes deste ciclo foram os seguintes:

03 de Outubro de 2005, 19h
Sacco e Vanzetti (Sacco & Vanzetti)
Direção: Giuliano Montaldo.
Itália, 1971, 120 min.
Com: Gian Maria Volontè; Riccardo Cucciolla; Cyril Cusack; Rosanna Fratello; Geoffrey Keen.
Comentários: Gilvan Dockhorn; Márcio Urach.
Sinopse: Baseado na história real dos imigrantes italianos Nicola Sacco (Cucciolla) e Bartolomeo Vanzetti (Volontè), acusados de assassinato e levados a julgamento em 1921, nos Estados Unidos. Por serem anarquistas, são condenados à morte em um dos mais famosos erros judiciais do século XX. Destaque para as atuações dos protagonistas e para a canção tema de Joan Baez e Ennio Morricone.
Premiações: Cannes Festival: Melhor Ator (Riccardo Cucciolla); Indicado Palma de Ouro.
Macc Avaliação: 9,5

04 de Outubro de 2005, 19h
Mr. Smith Goes to Washington (A Mulher Faz o Homem)
Direção: Frank Capra.
Estados Unidos, 1939, 130 min.
Com: James Stewart; Jean Arthur; Claude Rains; Thomas Mitchell; Edward Arnold; Harry Carey.
Comentários: Paula Rafaela da Silva; Luciane Pozobon.
Sinopse: Ingênuo homem do interior (Stewart) é convidado a se tornar senador dos Estados Unidos e aos poucos descobre-se em um universo corrupto que ameaça tudo o que ele acreditava em relação à bondade e ao caráter dos comandantes de seu país. Obra que defende os ideários norte-americanos do american way of life e da democracia capitalista.
Premiações: Academy Awards®: Melhor História Original. Indicado: Filme; Diretor; Ator (James Stewart); Ator Coadjuvante (Claude Rains); Ator Coadjuvante (Harry Carey); Direção de Arte; Edição; Trilha Sonora; Som; Roteiro.
Macc Avaliação: 9

05 de Outubro de 2005, 19h
Z (Z)
Direção: Constantin Costa-Gavras.
Argélia/França, 1969, 126 min.
Com: Yves Montand; Irene Papas; Jean-Louis Trintignant; Jacques Perrin; Charles Denner.
Comentários: Carlos Alberto Badke; Maira Graciela Daniel.
Sinopse: Baseado no Caso Lambrakis, em que a morte de um político foi encoberta por políticos e policiais, na Grécia dos anos 1960. Depois que um político (Montand) da esquerda grega é assassinado enquanto se prepara para fazer um discurso contra o governo, um investigador (Trintignant) é encarregado do caso. Quanto mais ele se aprofunda, mais descobre até onde os políticos de direita estão dispostos a ir para encobrir o assassinato. Obra-prima.
Premiações: Academy Awards®: Melhor Filme em Língua Estrangeira; Edição. Indicado: Filme; Diretor; Roteiro Adaptado. BAFTA: Melhor Música. Indicado: Filme; Edição; Roteiro; Prêmio UN. Cannes Festival: Melhor Ator (Jean-Louis Trintignant); Prêmio do Júri (Constantin Costa-Gavras). Indicado Palma de Ouro. Golden Globes®: Melhor Filme em Língua Estrangeira.
Macc Avaliação: 10

06 de Outubro de 2005, 19h
La Noche de los Lápices (La Noche de los Lápices)
Direção: Héctor Olivera.
Argentina, 1986, 105 min.
Com: Alejo García Pintos; Vita Escardó; Pablo Navarro; Leonardo Sbaraglia; José María Monje.
Comentários: Gissele Cassol; Fabiano Saidelles
Sinopse: Adaptação do livro homônimo de Maria Seoane sobre os crimes da sangrenta ditadura que governou o país até 1983. O filme reconstitui a história verídica de um grupo de jovens militantes que foram seqüestrados e torturados por protestarem contra o governo vigente.
Macc Avaliação: 8,5

07 de Outubro de 2005, 19h
Fahrenheit 9/11 (Fahrenheit 11 de Setembro)
Direção: Michael Moore.
Estados Unidos, 2004, 116 min.
Com: George W. Bush; Condoleezza Rice; Donald Rumsfeld; Britney Spears; Osama Bin Laden; Michael Moore.
Comentários: Fritz Nunes; Luiz Alberto Cassol
Sinopse: Esse documentário é uma obra pessoal de Michael Moore contra a administração George W. Bush. É uma espécie de ajuste de contas. Nele o diretor investiga como os Estados Unidos se tornaram alvo de terroristas, a partir dos eventos ocorridos no atentado de 11 de setembro de 2001. Os paralelos entre as duas gerações da família Bush que já comandaram o país e ainda as relações entre o presidente norte-americano, George W. Bush, e Osama Bin Laden. Impressiona pelas conexões.
Premiações: Cannes Festival: Palma de Ouro; Prêmio FIPRESCI (Michael Moore). César Awards: Indicado Melhor Filme Estrangeiro. Razzie Awards – Framboesa de Ouro: Pior Ator (George W. Bush); Pior Casal (George W. Bush e Condoleezza Rice); Pior Ator Coadjuvante (Donald Rumsfeld); Pior Atriz Coadjuvante (Britney Spears). Indicado: Atriz Coadjuvante (Condoleezza Rice).
Macc Avaliação: 9 

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No próximo post: 5º Ciclo de Cinema Histórico: A História de Caso com a Máfia.

3º Ciclo de Cinema Histórico: Sangue no calor; Lágrimas no frio

Posted in Ciclo de Cinema Histórico, Cinema de Guerra, Cinema e Política, Documentário, Drama on 07/03/2009 by cinemacc

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Lembro da estranheza que o título deste ciclo causou ao jornalista Claudemir Pereira, no programa CDN Entrevista da Rádio CDN. Diorge Konrad, coordenador do projeto, e eu estávamos participando da conversa quando surgiu algo do tipo: “Mas o que quer dizer Sangue no Calor; Lágrimas no frio“… “parece algo trágico e poético”, emendou o jornalista.

E na verdade, era realmente algo desse tipo mesmo… ou que pelo menos provocou muitas tragédias. O título refere-se aos filmes que tematizam a Guerra Fria, e alude justamente as muitas guerras (o tal sangue no calor) provocadas e geridas em salas de reuniões que defendiam os interesses políticos, econômicos e ideológicos (o lágrimas no frio), bancadas pelas duas grandes potências do período Estados Unidos e União Soviética.

O ciclo teve uma média de público de 28 espectadores, e centrou-se, basicamente, em produções norte-americanas, que mesmo assim, em sua maioria, possuíam uma crítica muito mais ampla dos acontecimentos relacionados ao período da Guerra Fria.

Abaixo a programação:

23 de Agosto de 2005, 19h
The Manchurian Candidate (Sob o Domínio do Mal)
Direção: John Frankenheimer.
Estados Unidos, 1962, 126 min.
Com: Frank Sinatra; Laurence Harvey; Janet Leigh; Angela Lansbury.
Comentários: Camila Maldaner.
Sinopse: Raymond Shaw (Harvey) é um herói da Guerra da Coréia. Mas ele e seu pelotão não conseguem se lembrar o que aconteceu para ele ter recebido tal condecoração. Bennett Marco (Sinatra) e um outro soldado, que faziam parte do pelotão, começam a ter pesadelos horríveis sobre alguns acontecimentos vividos durante a guerra. Marco então pesquisa sobre a vida atual de Shaw, e descobre que segredos podem estar guardados sob a memória perdida.
Premiações: Academy Awards®: Indicado Atriz Coadjuvante (Angela Lansbury); Edição. BAFTA: Indicado Filme em Língua Estrangeira. Golden Globes®: Melhor Atriz Coadjuvante (Angela Lansbury). Indicado: Direção.
Macc Avaliação: 9

25 de Agosto de 2005, 19h
Sayonara (Sayonara)
Direção: Joshua Logan.
Estados Unidos, 1957, 147 min.
Com: Marlon Brando; Patricia Owens; Red Buttons; Miiko Taka; Ricardo Montalban; Miyoshi Umeki; James Garner.
Comentários: Neida Ceccin Morales
Sinopse: Guerra da Coréia. O Major Lloyd Gruver (Brando) sempre foi contra o casamento entre militares americanos e mulheres japonesas. Até se apaixonar por uma dessas mulheres, ficando frente a frente com os tabus da época e os próprios preconceitos.
Premiações: Academy Awards®: Melhor Ator Coadjuvante (Red Buttons); Atriz Coadjuvante (Miyoshi Umeki); Direção de Arte; Som. Indicado: Filme; Diretor; Ator (Marlon Brando); Fotografia; Edição; Roteiro – Adaptado. BAFTA: Indicado Artista Nova Promessa (Red Buttons); Golden Globes®: Melhor Ator Coadjuvante (Red Buttons). Indicado: Filme – Drama; Diretor; Ator – Drama (Marlon Brando); Atriz Coadjuvante (Miyoshi Umeki).
Macc Avaliação: 8,5

30 de Agosto de 2005, 19h
Fail-Safe (Limite de Segurança)
Direção: Sidney Lumet.
Estados Unidos, 1964, 111 min.
Com: Henry Fonda; Walter Matthau; Larry Hagman; Dan O’Herlihy.
Comentários: Luiz Eugênio Véscio
Sinopse: Grande suspense sobre o medo da bomba. Uma falha técnica nos aviões norte-americanos provocam o desencadeamento de uma ordem aos pilotos para que bombardeiem Moscou. Os eles não podem voltar atrás, uma vez que o “limite de segurança” foi acionado. Então o presidente dos Estados Unidos (Fonda) procura os meios necessários para impedir tal ato, o que pode ser uma tarefa impossível.
Premiações: BAFTA: Indicado Prêmio UN (Sidney Lumet).
Macc Avaliação: 8

1o de Setembro de 2005, 19h
Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (Dr. Fantástico)
Direção: Stanley Kubrick.
Estados Unidos, 1964, 94 min.
Com: Peter Sellers; George C. Scott; Sterling Hayden; James Earl Jones; Tracy Reed.
Comentários: Thiago da Costa.
Sinopse: Humor negro sobre o medo da bomba. Um general insano, Jack Ripper, ameaça, durante uma reunião entre nações, neutralizar a União Soviética com bombas nucleares, o que poderia gerar uma destruição fulminante na Terra. Todos os outros membros fazem de tudo para evitar. Entre eles estão o Capitão britânico Mandrake, o presidente norte-americano Merkin Muffley e o Soviético bêbado Dr. Fantástico (todos interpretados por Sellers).
Premiações: Academy Awards®: Indicado: Filme; Diretor; Ator (Peter Sellers); Roteiro Adaptado. BAFTA: Melhor Filme; Filme Britânico; Direção de Arte em Preto-e-Branco; Prêmio UN. Indicado: Roteiro; Ator Britânico (Peter Sellers); Ator Estrangeiro (Sterling Hayden).
Macc Avaliação: 10

12 de Setembro de 2005, 19h
Casualities of War (Pecados de Guerra)
Direção: Brian de Palma.
Estados Unidos, 1989, 113 min.
Com: Michael J. Fox; Sean Penn; Don Harvey; John C. Reilly; John Leguizamo; Ving Rhames.
Comentários: André Fertig .
Sinopse: Durante a Guerra do Vietnã, uma garota vietnamita é levada de sua aldeia por cinco soldados norte-americanos. No meio do percurso, ela é violentamente estuprada. Mais tarde, esses soldados terão que responder pelo crime em um tribunal militar… mas um deles se negou a participar daquele infame episódio.
Premiações: Golden Globes®: Indicado Trilha Sonora.
Macc Avaliação: 8

13 de Setembro de 2005, 19h
The Fog of War: Eleven Lessons from the Life of Robert S. McNamara (Sob a Névoa da Guerra)
Direção: Errol Morris.
Estados Unidos, 2003, 107 min.
Com: Robert McNamara; Errol Morris (Narrador).
Comentários: Joél Abílio Pinto dos Santos.
Sinopse: Estruturado em lições, Robert S. McNamara, líder militar dos Estados Unidos durante um dos períodos mais conturbados, apresenta novos e curiosos fatos sobre o bombardeio de Tóquio, a crise cubana dos mísseis e a Guerra do Vietnã.
Premiações: Academy Awards®: Melhor Documentário. Independent Spirits: Melhor Documentário.
Macc Avaliação: 9

21 de Setembro de 2005, 19h
Rambo III (Rambo III)
Direção: Peter MacDonald.
Estados Unidos, 1988, 103 min.
Com: Sylvester Stallone; Richard Crenna; Kurtwood Smith; Marc de Jonge.
Comentários: Taiara Souto Alves.
Sinopse: John Rambo (Stallone) vai até um mosteiro budista, procurando paz depois de tanto sofrer, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Só que quando sequestram o seu mentor, ele se vê obrigado a ir atrás dos responsáveis e resgatá-lo, antes que seja tarde demais. Em meio a isso o apoio norte-americano ao Afeganistão.
Premiações: Razzie Awards Framboesa de Ouro: Pior Ator (Sylvester Stallone). Indicado: Filme; Diretor; Roteiro; Ator Coadjuvante (Richard Crenna).
Macc Avaliação: 2

22 de Setembro de 2005, 19h
Good Bye, Lenin! (Adeus, Lênin!)
Direção: Wolfgang Becker.
Alemanha, 2003, 118 min.
Com: Daniel Brühl; Katrin Saß; Chulpan Khamatova; Florian Lukas; Maria Simon; Alexander Beyer.
Comentários: João Júlio Gomes dos Santos Júnior; Jair Alan Siqueira.
Sinopse: Alex faz de tudo para que sua mãe continue vivendo em uma ilusória Alemanha Oriental – ela era admiradora do regime socialista, mas estava em coma quando esse foi suprimindo e ocorreu a reunificação alemã. Obra bastante original e que revela o avanço do capitalismo contra o socialismo.
Premiações: BAFTA: Indicado Filme em Língua Estrangeira. Berlin Festival: Prêmio Anjo Azul (Wolfgang Becker). Indicado Leão de ouro. César Awards: Melhor Filme da União Europeia. Golden Globes®: Indicado Filme em Língua Estrangeira.
Macc Avaliação: 9

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Amanhã: o 4º Ciclo – Sessões especiais de política.

Até breve!

1º Ciclo de Cinema Histórico: Latinos em um lugar qualquer

Posted in Ciclo de Cinema Histórico, Cinema e Política, Drama on 05/03/2009 by cinemacc

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O projeto Ciclos de Cinema Histórico tem como objetivos centrais, desde sua origem em 2005, a exibição e a discussão de obras significativas tematicamente, historicamente e cinematograficamente em um contexto acadêmico e social. Tendo em vista um planejamento que procura ir além das salas de cinema – que exibem blockbusters e filmes de apelo comercial, e também de cineclubes – que têm uma programação mais artística, mas com uma freqüência semanal mais curta, os ciclos vieram para unir essas duas propostas, visando a pesquisa em cinema – sua história, sua técnica e sua arte.

O primeiro ciclo de cinema teve como preocupação justamente os aspectos relacionados à América Latina, campo de pesquisa bastante explorado pela universidade e também, geografia viva nas produções cinematográficas. A seleção dos filmes primou pela diversificação espacial e por sua qualidade artística, correspondendo tanto a história dos países tratados quanto a própria relevância cinematográfica.

Realizado entre os dias 02 e 25 de Maio, o ciclo teve um número razoável de expectadores com uma média de 25 pessoas por sessão. Abaixo segue a programação exibida:

02 de Maio de 2005, 19h
La Historia Oficial (A História Oficial)
Direção: Luis Puenzo.
Argentina, 1985, 112 min.
Com: Norma Alejandro; Héctor Alterio; Chunchuna Villafañe; Hugo Arana.
Comentários: Diorge Alceno Konrad.
Sinopse: Buenos Aires, Argentina. Em tempos de abertura política, professora de História (Alejandro) começa a se dar conta da violência da ditadura militar em seu país. O seu drama se complica quando passa a desconfiar que Gabi (Villafañe), uma menina que adotou, pode ser a filha de uma desaparecida dos tempos de opressão militar.
Premiações: Academy Awards®: Melhor Filme em Língua Estrangeira; Indicado a Roteiro – Original. Golden Globes®: Melhor Filme em Língua Estrangeira. Cannes Festival: Melhor Atriz (Norma Alejandro); Prêmio do Juri (Luis Puenzo). Indicado à Palma de Ouro. Berlin Festival: Prêmio do Novo Cinema.
Macc Avaliação: 10

04 de Maio de 2005, 19h
El Coronel No Tiene Quien Le Escriba (Ninguém Escreve ao Coronel)
Direção: Arturo Ripstein
México/Colômbia/Espanha, 1999, 117 min.
Com: Fernando Luján; Marisa Paredes; Salma Hayek.
Comentários: Genivaldo Gonçalves Pinto
Sinopse: Baseado em novela homônima de Gabriel García Márquez. Um Coronel (Luján) há muitos anos espera por uma correspondência que pode mudar sua vida: uma recompensa do Estado pelo cumprimento de seu dever durante a Guerra Cristera. Mas todos da localidade sabem que a espera será em vão. Em um galo de briga reside a única esperança pela sobrevivência.
Premiações: Cannes Festival: Indicado à Palma de Ouro.
Macc Avaliação: 7

10 de Maio de 2005, 19h
Retrato de Teresa (Retrato de Teresa)
Direção: Pastor Vega.
Cuba, 1979, 103 min.
Com: Daisy Granados; Adolgo Llauradó; Alina Sánchez.
Comentários: Ricardo Oliveira da Silva
Sinopse: Cuba. A incorporação da mulher a tarefas de responsabilidade social e política acaba por causar uma série de conflitos nos relacionamentos: de um lado está a tradição familiar e do outro um modelo social que não faz diferenciação de sexo. A obra procura investigar as atitudes e reações emotivas desencadeadas por essas questões.
Macc Avaliação: 8

12 de Maio de 2005, 19h
¡Que Viva México! (Viva México!)
Direção: Sergei M. Eisenstein; Grigori Aleksandrov.
México/Estados Unidos/União Soviética, 1932, 89 min.
Com: Félix Balderas; Sara García; Martín Hernández.
Comentários: Icaro Bittencourt.
Sinopse: Obra inacabada, lançada de maneira definitiva apenas em 1979. O filme segue um estilo documental e artístico, revelando a etnia, a geografia e a diversidade cultural mexicana, estilizando o povo e a sociedade volátil. Algumas sequências são magnífica como: as filmagens dos desertos exóticos de Tehuantepec; as majestosas e selvagens touradas; a “Guerra dos Peões”; e o hipnótico “Dia dos Mortos”.
Macc Avaliação: 9

20 de Maio de 2005, 19h
O Sobrado (O Sobrado)
Direção: Cassiano Gabus Mendes; Walter George Durst.
Brasil, 1956, 110 min.
Com: Fernando Baleroni; Lima Duarte; Lia de Aguiar; Rosalina Granja; Luiz Gustavo.
Comentários: Júlio Ricardo Quevedo dos Santos.
Sinopse: Inspirado em uma parte do romance O tempo e o Vento, de Erico Veríssimo. Uma família que mora em um sobrado, sofre o cerco do inimigo. Sem água, sem comida e sem munições eles têm que resistir as provações com indecisão e coragem.
Macc Avaliação: 6

23 de Maio de 2005
Lua de Outubro (Lua de Outubro)
Direção: Henrique de Freitas Lima.
Brasil/ Argentina, 2001, 99 min.
Com: Marcos Winter; Oscar Simch; Sirmar Antunes; Maria Luisa Benitez; José Vitor Castiel.
Comentários: Roselâine Casanova Corrêa.
Sinopse: Após a revolução entre republicanos e federalistas, em 1923, capitão ganha a posse de algumas terras. Ao chegar ao local, vai ter de enfrentar um chefe político da região não muito disposto a compartilhar seus bens.
Macc Avaliação: 6

24 de Maio de 2005
Os Fuzis (Os Fuzis)
Direção: Ruy Guerra.
Brasil/Argentina, 1964, 100 min.
Com: Átila Iório; Nelson Xavier; Hugo Carvana; Maria Gladys; Paulo César Peréio; Antonio Pitanga.
Comentários: Liriana Zanon Stefanello.
Sinopse: Um dos precursores do Cinema Novo. Grupo de soldados é enviado à Bahia para impedir que grupo de cidadãos pobres saqueiem armazéns. Miséria e misticismo regem a trama ligada aos temas do nordeste brasileiro e da situação política do Brasil.
Premiações: Berlin Festival: Urso de Prata de Direção (Ruy Guerra). Indicado ao Urso de Ouro.
Macc Avaliação: 8,5

 
25 de Maio de 2005
Lugares Comunes (Lugares Comuns)
Direção: Adolfo Aristarain.
Argentina/Espanha, 2002, 112 min.
Com: Federico Luppi; Mercedes Sampietro; Arturo Puig; Carlos Santamaría.
Comentários: Fernanda Soares Cardozo.
Sinopse: Idoso mora em Buenos Aires e dedica-se à mulher e à carreira de professor universitário. A Argentina passa por sérios problemas políticos e econômicos, o que faz ele refletir sobre a dura realidade e a iminência de sua aposentadoria.
Premiações: Gramado Festival: Melhor Atriz para Filme Latino-Americano (Mercedes Sampietro). Indicado ao Kikito de Filme Latino-Americano.
Macc Avaliação: 10

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Amanhã a retrospectiva do 2º Ciclo de Cinema Histórico: Grandes Guerras e… Filmes.

Abraço.

Milk em busca da dignidade

Posted in Cinema e Política, Oscar 2009 on 20/02/2009 by cinemacc

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Milk (Milk – A Voz da Igualdade, EUA, 2008). Direção: Gus Van Sant. Roteiro: Dustin Lance Black. Fotografia: Harris Savides. Música: Danny Elfman. Elenco: Sean Penn; Emile Hirsch; Josh Brolin; Diego Luna; James Franco; Alison Pill.

8 Indicações – Academy Awards®: Filme; Direção; Ator (Sean Penn); Ator Coadjuvante (Josh Brolin); Edição; Figurino; Trilha Sonora Original; Roteiro Adaptado.

1 Indicação – Golden Globes®: Ator – Drama (Sean Penn).

 

Filmes como Milk – A Voz da Igualdade são importantes nos dias de hoje. Principalmente porque tratam de um tema que vai além do que a própria trama enfoca, no caso o direito dos homossexuais. A obra simboliza a necessidade humana em opinar e ser livre das amarras do preconceito, sendo justamente um tratado sobre a dignidade e sobre a igualdade.

Entretanto, a relevância e o peso que Gus Van Sant imprime à obra é justamente por se tratar de uma luta contra a homofobia em um dos Estados norte-americanos onde mais forte estava a resistência. Baseado em fatos, Milk – a Voz da Igualdade trata da história do primeiro candidato gay oficialmente eleito na Califórnia e as suas lutas e embates contra o preconceito em San Francisco.

O retrato da figura de Harvey Milk, no entanto, não é de todo original, principalmente por estar inspirado no documentário The Times of Harvey Milk, de Rob Epstein, lançado em 1984 e que venceu o Oscar® nesta categoria. (O filme, dividido em 11 partes, pode ser conferido no youtube – sem legendas – http://www.youtube.com/watch?v=2zbrMPhqwS4&NR=1. Abaixo segue o trailer:

Porém, mesmo assim, é o primeiro grande filme a contemplar os direitos civis pela perspectiva do movimento gay. A trama se dá a partir do foco narrativo construído sobre uma gravação em cassete que Milk fez, ao completar 48 anos, para ser reproduzida em caso de morte, agindo, assim, como um narrador da própria história.

A utilização de imagens de arquivo e recortes de jornais dá credibilidade documental a história, assim como a colaboração de amigos e pesquisadores sobre a vida do político ressaltam a preocupação com a exposição clara dos fatos.

Outro elemento que merece menção é a seleção de atores e a sua semelhança com as personalidades tratadas no filme. Todos os personagens estão muito bem caracterizados, em especial o inseguro antagonista Dan White (Josh Brolin) e, é claro, o protagonista Harvey Milk, que tem um retrato definitivo na interpretação extraordinária de Sean Penn.

O relato da história das tentativas eleitorais de Milk, são o mote da história, mas o diretor consegue dosar esses elementos políticos com a vida pessoal do protagonista, retratando suas histórias de amor e seus desejos pessoais.

Van Sant consegue transcender os gêneros cinematográficos biografia, drama e romance e estabelece sua obra como um documento humano que aborda, acima de tudo, a necessidade de proporcionar esperança às pessoas e à sociedade. Um filme acima de qualquer preconceito.

 

Então, aprecie grandes interpretações, e até breve.

 

Macc Avaliação: 9

Frost/Nixon: cara a cara com a verdade

Posted in Cinema e Política, Oscar 2009 on 19/02/2009 by cinemacc

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Frost/Nixon (Frost/Nixon, EUA/ING/FRA, 2008). Direção: Ron Howard. Roteiro: Peter Morgan. Fotografia: Salvatore Totino. Música: Hans Zimmer. Elenco: Frank Langella; Michael Sheen; Sam Rockwell; Kevin Bacon; Oliver Platt; Rebecca Hall.

5 Indicações – Academy Awards®: Filme; Direção; Ator (Frank Langella); Edição; Roteiro Adaptado.

5 Indicações – Golden Globes®: Filme; Direção; Ator – Drama (Frank Langella); Roteiro; Trilha Sonora.

 

Eu sou sincero quando não gosto das escolhas que alguns diretores recorrentemente tomam. Meus amigos sabem que tanto Pedro Almodóvar quanto Steven Spielberg não possuem minha admiração. Ainda que eu saiba elogiar trabalhos seus, sempre há algo que me possibilita dizer um “porém”. Outro diretor que posso colocar nesse roll é Ron Howard, que de menino-ator tornou-se um dos diretores preferidos por Hollywood.

Depois de fazer filmes que vão dos bons Apolo 13 (1995) e Uma mente brilhante (2001), passando pelos blockbusters O código daVinci (2006) e Anjos e demônios (que será lançado em 2009) até os tenebrosos O grinch (2000) e Edtv (1999), o produtor-ator-diretor apostou em um sucesso da Broadway para não errar na escolha: Frost/Nixon. E tenho que admitir que ele acertou no projeto e, principalmente, nos elementos de linguagem cinematográfica que emprega.

Para quem pretende ver o filme é interessante conferir trechos da entrevista original exibida na televisão no site: http://www.frostnixon.com/ ou mesmo no youtube. Aqui colocamos o trailer promocional do dvd da entrevista original:

O filme de Howard é baseado em uma peça de Peter Morgan, que também é o roteirista. A obra é uma dessas produções feitas mais para norte-americanos do que para o público em geral. Ainda assim, sua preocupação em recuperar a história do ex-presidente Richard Nixon, que renunciou devido ao escândalo de Watergate, é feita de maneira correta e bastante envolvente.

A obra se passa no ano de 1977, quando Nixon (Frank Langella), nada disposto a assumir a culpa pelo escândalo, concordou em conceder uma entrevista. O jornalista britânico David Frost (Michael Sheen), apresentador de programas de entretenimento, com reputação de mulherengo e fútil, foi quem procurou realizar o feito de conseguir uma confissão de culpa do ex-presidente, com a finalidade de se autopromover.

A edição é ágil e dá o dinamismo necessário principalmente no confronto frente à frente entre Nixon e Frost. A técnica empregada de ressaltar a observação do ouvinte, assim como a reação dos bastidores no momento de cada pergunta e resposta, dá a tensão certa a recriação do que foi um momento histórico da televisão. Como sugestão é interessante assistir também Todos os homens do presidente (1976), de Alan J. Pakula e Nixon (1995), de Oliver Stone, que juntamente com este Frost/Nixon formam uma bela trilogia do político republicano e 37º presidente norte-americano.

Porém (e sempre ele), alguns personagens coadjuvantes do filme que são enfatizados na direção, somem e se apagam no decorrer da obra. Exemplo disso é a figura feminina e caso de Frost, Caroline (Rebecca Hall). A sua participação serve pra realçar a imagem fútil do jornalista, e também para injetar dúvida quanto o caráter dela em relação a produção da entrevista. Mas, uma personagem que fala bastante na primeira hora de filme e chama a atenção de todos no filme, inclusive do próprio Nixon, cala-se e praticamente vira uma espectadora e um adereço da história. Pode ter sido proposital, mas não convence.

Ainda assim, o filme é um grande êxito, prendendo o espectador, com ótimos diálogos, e magníficas interpretações, em especial dos protagonistas Langella e Sheen. Ao recriar as quatro longas sessões de perguntas e respostas, a obra foca na busca pela verdade e pela confissão. E devo admitir que é o trabalho do diretor Howard que consegue imprimir um tom humano às personagens sem que para isso tenhamos compaixão por Nixon. E isso é fundamental.

Então, testemunhe a verdade, e até breve.

Macc Avaliação: 9