The Hours: caminhos de um dia que não acaba

hours1

The Hours (As Horas, EUA/ING, 114 min., 2002). Direção: Stephen Daldry. Roteiro: David Hare. Fotografia: Seamus McGarvey. Música: Philip Glass. Elenco: Nicole Kidman; Julianne Moore; Meryl Streep; Stephen Dillane; Miranda Richardson; John C. Reilly; Toni Collette; Ed Harris.

 

Premiações: Academy Awards®: Melhor Atriz (Nicole Kidman). Indicado: Filme; Diretor; Figurino; Edição; Ator Coadjuvante (Ed Harris); Atriz Coadjuvante (Julianne Moore); Trilha Sonora; Roteiro Adaptado. BAFTA: Melhor Atriz (Nicole Kidman); Trilha Sonora. Indicado Filme; Filme Britânico; Edição; Maquiagem; Roteiro Adaptado; Ator Coadjuvante (Ed Harris); Atriz Coadjuvante (Julianne Moore); Atriz Coadjuvante (Meryl Streep); Diretor. Berlin Festival: Prêmio do Júri dos leitores de ‘Berliner Morgenpost’ (Stephen Daldry); Urso de Prata (Nicole Kidman; Meryl Streep; Julianne Moore). Indicado: Urso de Ouro. César Awards: Indicado Filme Estrangeiro. Golden Globes®: Melhor Filme – Drama; Atriz (Nicole Kidman). Indicado: Diretor; Roteiro; Trilha Sonora; Ator Coadjuvante (Ed Harris); Atriz Coadjuvante (Meryl Streep). Grammy: Indicado Trilha Sonora.

 

“A dor de cabeça está sempre por perto, esperando, e seus períodos de liberdade, por mais longos que sejam, parecem sempre provisórios. Às vezes a dor de cabeça toma posse dela apenas parcialmente, por uma tarde, um dia ou dois, depois se retira. Às vezes fica e cresce, até que ela própria se esvai. Nessas ocasiões, a dor de cabeça sai do crânio e muda-se para o mundo.” (p.62) Este excerto da obra As horas, do escritor californiano Michael Cunnigham – que venceu o prêmio Pulitzer por este romance -, resume a idéia que eu tive quando li o livro há algum tempo atrás: a inquietude, seu deslocamento do mundo e a infelicidade das protagonistas retratadas.

O filme que é baseado no referido livro é marcado por uma sensibilidade e por uma delicadeza narrativa, que a montagem consegue imprimir e que a mão segura de Stephen Daldry consegue transmitir. A trilha sonora minimalista de Philip Glass, colabora para dar a dimensão íntima e angustiante das protagonistas, e o elenco destaca-se pela doação e pelo engajamento com o propósito da narrativa, destacando-se Nicole Kidman (que esconde sua beleza em um maquiagem que a deixou – muito – estranha, mas não prejudicou sua atuação), Julianne Moore e Ed Harris.

A história revela, de maneira entrecruzada pela montagem, a vida de três mulheres que estão interligadas por um livro, Mrs. Dalloway, escrito pela escritora inglesa Virgina Woolf. Ela, Mrs. Woolf, (Kidman), na década de 1920, está começando a escrever seu livro, Mrs. Dalloway, sob os cuidados de seus médicos e familiares. Em 1951, Laura Brown (Moore) está preparando algo para o aniversário de seu marido. Entretanto, encontra-se ocupada pois está lendo o livro escrito por Virginia, o mesmo Mrs. Dalloway. Em 2001, Clarissa Vaughn (Streep) está preparando uma festa para seu melhor amigo (Harris), um famoso autor que está morrendo de AIDS. A trama é tomada em apenas um dia, e as histórias percorrem uma vivência e uma leitura intrigantemente distinta.

O romance Mrs. Dalloway, lançado em 1925 e que serviu de inspiração para Cunningham, mostra em um único dia a recepção que Clarissa Dalloway prepara em sua casa, na Inglaterra pós-Primeira Guerra Mundial. Ao longo do dia, o romance acompanha as atividades e, principalmente, os pensamentos de algumas pessoas cujas vidas de algum modo se relacionam com Clarissa e sua festa. A obra foi uma das primeiras a fazer uso do  fluxo de consciência, que mais tarde também fora usado por Clarice Lispector na Literatura Brasileira.
A marca do romance e do filme é a expressão da extrema infelicidade e inquietude que passam as protagonistas, ainda que, em um primeiro momento, não transpareçam isso. Virginia está a beira de um ataque de loucura, pois sofre muito a solidão vinda do confinamento na cidade onde vive, e só se liberta enquanto escreve. Laura que parece ter uma vida perfeita, sofre de uma angústia que nos agonia, e somente fica feliz enquanto lê Mrs. Dalloway. Já Clarissa vê a todo tempo o quanto banal é sua vida, só tendo um pouco de felicidade enquanto deixa de viver sua vida para viver a de Richard, o qual a apelidou de “Mrs. Dalloway”.

O roteiro de David Hare foca a angústia da alma feminina com uma sensibilidade impressionante, exatamente no mesmo molde em que Virginia compunha seus livros de temática introspectiva. A expressão da vivência de mulheres (uma real e outras duas ficcionais) por momentos distintos da história, através de uma simultaneidade de situações, capta e arrebata o expectador que se sente guiado pelos dramas particulares, pelos desejos reprimidos e pelo sufocamento de um dia, que se repetiu e que poderá se repetir sem cessar.

Quando e Onde ver:
Dia 8 de Abril, 19 h, com comentários de Lenine Ribas Maia.
21º Ciclos de Cinema Histórico: Mulheres à Beira de uma Sessão de Cinema.
Auditório do CCSH – Centro; Rua Floriano Peixoto, 1184
Santa Maria, RS.
Entrada Franca

Macc Avaliação: 9,5

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: