Doubt: o preço de uma dúvida

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Doubt (Dúvida, EUA/FRA, 2008) Direção: John Patrick Shanley. Roteiro: John Patrick Shanley. Fotografia: Roger Deakins. Música: Howard Shore. Elenco: Meryl Streep; Philip Seymour Hoffman; Amy Adams; Viola Davis; Alice Drummond; Lloyd Clay Brown; Audrie J. Neenan.

5 Indicações Academy Awards®: Atriz (Meryl Streep); Atriz Coadjuvante (Amy Adams); Atriz Coadjuvante (Viola Davis); Ator Coadjuvante (Philip Seymour Hoffman); Roteiro Adaptado.

5 Indicações Golden Globes®: Atriz (Meryl Streep); Atriz Coadjuvante (Amy Adams); Atriz Coadjuvante (Viola Davis); Ator Coadjuvante (Philip Seymour Hoffman); Roteiro.

 

Quem for assistir Dúvida poderá sair da sessão louco pra discutir e conversar com alguém sobre as soluções do longa, porque é justamente o resultado que o título do filme propõe. O espectador acompanha o roteiro que traz indícios e sinais, mas que apenas abre possibilidades sem se preocupar em concluí-las. O que, a meu ver, funciona de maneira positiva para esta história.

O filme é baseado na peça de John Patrick Shanley que também roteiriza e dirige o longa. A trama se passa no ano de 1964 e tem como cenário uma escola (St. Nicholas) do Bronx. Um padre chamado Flynn (Philip Seymour Hoffman) tenta acabar com a rigidez dos costumes da escola, que é controlada pela irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), diretora que acredita no poder do medo e da disciplina para manter a ordem. No local estuda Donald Miller, o primeiro aluno negro aceito na comunidade. Mas quando a irmã James (Amy Adams), uma jovem freira, conta à irmã Aloysius sobre sua suspeita, induzida pela culpa, de que o padre Flynn está dando atenção exagerada a Donald, a irmã Aloysius se vê motivada a empreender uma cruzada para descobrir a verdade e banir o padre da escola.

A obra sustenta-se pela busca da necessidade da prova ou da evidência, tornando a moral da irmã Aloysius o guia para o controle da situação. A sua amargura e suas estratégias (visando cooptar as demais irmãs, forjando provas ou induzindo testemunhas) são dignas de uma grande vilã.

As interpretações são um show a parte. Amy Adams imprime na medida certa o tom ingênuo e esperançoso da jovem freira. Philip Seymour Hoffman ao mesmo tempo que transmite um confiança, vibração e carisma, também exala insegurança. Meryl Streep, por sua vez, exagera bastante na sua caracterização, pesando contra a sua personagem a idéia autoritária que faz todos crerem ser ela a vilã da história. Mas ainda assim é uma boa atuação. Já Viola Davis rouba as poucas cenas em que aparece. No papel da mãe do jovem negro ela é visceral e verdadeira nas suas declarações.

A condução da narrativa é envolvente e o conflito moral é realçado pelo juízo de valor cristão e pela convicção racional da irmã Aloysius. A luta pessoal pelo poder, pelo controle e pela manutenção do bem-estar é uma constante do roteiro nesta duvidosa batalha em que a única certeza é a incerteza.

 

Então, não tenha dúvidas, e até breve!

Macc Avaliação: 8,5

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