Hugo (2011)

Posted in Ação e Aventura, Oscar 2012 on 02/03/2012 by cinemacc

A Invenção de Hugo Cabret (2011) Direção: Martin Scorsese. Com: Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz, Christopher Lee, Ben Kingsley. Estados Unidos, 126 min.

Para quem não sabe sou grande fã de Martin Scorsese; assim como devem ser outros tantos leitores desta breve nota cinematográfica. Então deixo o alerta aos fãs: se você gosta apenas dos filmes de máfia ou dos que revelam a alma humana a partir da violência e da ação, cuide-se ao ver Hugo. A versatilidade do diretor não tem fim! Talvez falte poucos gêneros ainda não explorados por Scorsese. Hugo é uma homenagem ao cinema, em tom de fantasia. As referências podem, em princípio, se dirigir a Charles Dickens (que completa hoje, 200 anos de nascimento), principalmente pelo tom poético e pela ação concentrada em uma criança abandonada. Mas a obra é principalmente uma homenagem à magia do cinema e à Georges Méliès. A direção de arte está estupenda! Talvez as atuações tenham ficado em segundo plano, o que não chega a prejudicar a obra como um todo, apenas ficam um pouco atrás dá fantástica reconstituição da Paris dos anos 1930 e da soberba aula de cinema proferida por Martin Scorsese… agora também em 3D.

MaccAvaliação: 9 (para quem gosta de cinema silencioso, ilusionismo e fantasia, história do cinema e filmes com crianças protagonistas em tecnologia 3D).

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Extremely Loud & Incredibly Close (2011)

Posted in Drama, Oscar 2012 on 02/03/2012 by cinemacc

Tão Forte e Tão Perto (2011) – Direção: Stephen Daldry. Com: Thomas Horn, Tom Hanks, Sandra Bullock, Max von Sydow. Estados Unidos, 129 min.

Há crianças chatas no início que se tornam adoráveis com o passar o filme, como em Onde vivem os Monstros. Mas o hiper-melodrama de Stephen Daldry potencializou o estado quase psiquiátrico do protagonista de Tão Forte e Tão Perto (e diria Tão Chato!), fazendo do protagonista infantil insuportável do início ao fim. Com o enredo pontuado por um mistério e pelas perdas causadas pelos ataques às Torres Gêmeas, o filme extrapola no sentimental e nas dores da criança (um misto de gênio, com criança mimada, com independência adolescente). A trama é lógica e o desfecho completamente desnecessário (parece filme amador!). A indicação ao Oscar só é entendida porque é uma história muito norte-americana, e o 11 de setembro ainda abala forte o sentimento dessas pessoas.

MaccAvaliação: 4 (para quem gosta de crianças chatas, melodramas sobre 11 de setembro e atuações silenciosas como a de Max Von Sydow)


The Artist (2011)

Posted in Drama, Oscar 2012 on 15/02/2012 by cinemacc

O Artista (2011) Direção: Michel Hazanavicius. Com: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell. França/Bélgica, 100 min.

‎”Fale! Fale!”. Logo nas cenas iniciais é exposto um dos dilemas centrais de The Artist. Ao narrar a transição do cinema silencioso para o falado a partir da trajetória de um importante artista, a obra constrói uma bela homenagem ao cinema – envolto em uma história de amor. Penso que para quem não está acostumado com obras em preto-e-branco e principalmente com o cinema silencioso (ainda que exista sons) terá que ter paciência se quiser ver o filme. Ainda assim, é uma obra muito interessante lançada nesta época de explosão de imagens, cores e sons, no universo 3D. Para o espectador atento é possível tecer uma série de semelhanças com outras obras clássicas como Cantando na Chuva e Crepúsculo dos Deuses, além de citações cinematográficas como a musicais da década de 1930, filmes de Chaplin e até Vertigo (na trilha sonora). É para ver com os ouvidos atentos!

MaccAvaliação: 9 (para quem gosta de cinema silencioso, homenagens ao cinema, cães astros e histórias de amor).

Super 8 (2011)

Posted in Elementares on 30/01/2012 by cinemacc


Super 8 (2011) 
Directed by J.J. Abrams. With Elle Fanning, Amanda Michalka, Kyle Chandler, Joel Courtney. During the summer of 1979, a group of friends witness a train crash and investigate subsequent unexplained events in their small town.
Explosões, correria e um clima que lembra alguns filmes infantis da década de 1980 (como Os Goonies): isso é o Super 8, de J.J. Abrams. Muito mais marketing (basta ver o nome do produtor no poster original) do que um filme bem acabado e resolvido. A ideia de jovens com uma câmera super 8, rodando um filme, é muito legal e leva o espectador a acompanhar a aventura. Mas o espaço destinado para isso se perde no conjunto de efeitos sonoros e visuais que a obra imprime, consumindo com o fio de roteiro, atuações  e direção (bastante desastrada).
MaccAvaliação: 5 (para quem gosta de explosões, correria e pensar em filmes da década de 1980 enquanto assiste um de 2011)

Crazy, Stupid, Love (2011)

Posted in Elementares on 30/01/2012 by cinemacc

Amor a Toda Prova (2011) – Directed by Glenn Ficarra, John Requa. With Steve Carell, Ryan Gosling, Julianne Moore, Emma Stone.

Um entretenimento bem divertido para quem gosta de comédias românticas é este Amor a Toda Prova. As situações seguem algumas linhas clichês para esse tipo de gênero (e em alguns momentos lembra Hitch – Conselheiro Amoroso, de 2005). Mas Ryan Gosling consegue uma boa atuação, juntamente com Marisa Tomei (ensandecida!)… Para ver sem compromisso, uma boa dica para “desopilar”.

MaccAvaliação: 8,5 (para quem gosta de: comédias românticas; estratégias de paquera; tentar começar de novo…)

 

Uma Pedra no Caminho de 127 Hours

Posted in Ação e Aventura, Drama, Oscar 2011 on 11/03/2011 by cinemacc

Em 127 Hours (127 Horas), de Danny Boyle, temos um típico exemplo de filme que poderia ser um porre de sentimentalismo de aventura. Explico: certos gêneros cinematográficos caem em um modelo fechado em si mesmo e desse modelo, ficando reféns de estruturas consagradas como é o caso de filmes de aventura sobre aventureiros [(cito dois que lembro agora Vertical Limit (Limite Vertical) e Cliffhanger (Risco Total)], em que a linearidade das ações acaba por levar a situações absurdas e a escaladas de grandes clichês.

Claro que há diretores que procuram ir além, como foi o caso de Sean Penn no magnífico Into the Wild (Na Natureza Selvagem) e agora Danny Boyle neste 127 Hours. Entretanto, indo um pouco mais na profundeza da aventura de Boyle, talvez vejamos o filme com certas resistências.

A obra se centra em Aron Ralston (interpretado por James Franco) que faz um tipo humano que gosta da ação individual, e que não deixa informações sobre suas rotas, destinos, e localizações. Enfim, sua vida só interessa a si. No cinema esse tipo de pessoa possui destaque e possibilita filmes, principalmente se o protagonista em questão “se deu mal”, ou pelo menos “sofreu com as suas inconsequências”.

Mesmo quem não viu o filme, tem a informação pelo título que Ralston ficou 127 horas preso no cânion Bluejohn, em Utah quando resolveu sair para um passeio rotineiro em abril de 2003. Em todo o caso é importante perguntar: alguém já conhecia o alpinista Aron Ralston até o filme de Boyle? Bom, talvez algum aficionado por alpinismo ou histórias edificantes de sobrevivência… mas eu, no alto de minha ignorância: não. Então assumo o filme mais como drama de aventura do que biografia, até porque as informações que o diretor dá sobre a personagem ‘real’ são quase nulas.

Boyle (cuja técnica cinematográfica repete algumas características de filmes anteriores) resolve tratar a perspectiva deste acontecimento com um tom de moral edificante (o que de certa forma prejudica o desfecho do filme). Assim, manter contato com a família, evitar produtos falsificados e o que se deve levar em uma mochila, ganham um sentido amplificado pela época em que vivemos, em que o poder da imagem faz com que demos mais atenção a filmadoras e máquinas fotográficas (que registram qualquer momento banal – como filme evidencia em uma das cenas em que Ralston cai de bicicleta, ou quando se diverte com duas aventureiras) do que a elementos que podem servir em caso de emergência, ainda mais em se tratando de trilhas de aventura.

A obra até mostra o espírito indômito do aventureiro, com sua coragem e sua força, recriando as filmagens de Ralston (funcionando em primeira pessoa e apresentando uma tonalidade documental). As belas paisagens de Utah, ajudam Boyle a dar um sentido de vazio existencial em um turbilhão mental que o personagem atravessa, da lucidez ao delírio, em busca da sobrevivência, incluindo aí, as tais cenas fortes de amputação que foram bastante comentadas pela crítica, e que por sinal foram muito bem refeitas.

Claro que é possível ficar passível ao ego do protagonista. Mas penso que a obra pode emocionar, talvez aborrecer, talvez causar enjoo ou talvez não convencer, mas 127 Hours não é um drama de aventura comum, ainda que exista uma pedra moralista no filme de Boyle.

MaccAvaliação: 8

Abaixo segue o trecho da filmagem original de Ralston.

Black Swan e a experiência sensorial de Aronofsky

Posted in Drama, Oscar 2011 on 20/02/2011 by cinemacc

Não entendo muito de música clássica, muito menos de balé. Então nem vou considerar as críticas negativas que o filme Black Swan (Cisne Negro) gerou por parte de bailarinos e especialistas na área ( http://bit.ly/hyqBF1 ). Muitos, inclusive, desconsideram que o cinema é uma arte que transfere uma realidade muito complexa para dentro da tela, suprimindo uma série de fatores em detrimento de um enquadramento mais ajustado a ficção, como acontece não apenas nesse filme de Darren Aronofsky, mas em outros que tematizam situações históricas, sociais e humanas. Em todo o caso, a obra do diretor vai além do gosto pelo balé: é um desafio psicológico de compreensão das densidades humanas.

A trama é ambientada nos bastidores do New York City Ballet, e a narrativa gira em torno de Nina (Natalie Portman, em atuação soberba!), uma bailarina que se vê diante da chance de interpretar o papel principal em uma montagem de “O Lago dos Cisnes”, de Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893). Esse balé é construído em quatro atos e estreou em 1877, no teatro Bolshoi em Moscou. A obra está vinculada a corrente do Romantismo europeu, mas apresenta muitas características barrocas em sua composição, como um evidente choque entre bem e mal, claro e escuro, utilizadas de forma sistemática na composição visual e temática do filme.

A insegurança e a fragilidade de Nina encontram certa explicação no cuidado excessivo de sua mãe (Barbara Hershey), ao mesmo tempo em que é pressionada por seu mentor e coreógrafo Thomas (Vincent Cassel), vislumbra a desgraça da antiga “Rainha dos Cisnes” (Winona Ryder) e recebe a dúbia parceria da dançarina Lily (Mila Kunis).

Nina terá na troca dessas relações pessoais e na busca do seu íntimo o desafio de buscar a interpretação do papel que almeja, a “Rainha dos Cisnes”, tendo que interpretar simultaneamente o cisne branco (símbolo da pureza e ingenuidade) e o cisne negro (metáfora para a malícia, sensualidade e maldade).

A construção metafórica que se estabelece no embate dos cisnes (branco e negro) é o motivo que conduz o espectador a mergulhar no imaginário psicológico da personagem Nina. É a pureza, a delicadeza e a sensibilidade branda contra a explosão, a raiva e o desejo fervente. É quase uma guerra interior em um lago plácido. Alguns comentários apontam também para a visão da saúde http://bit.ly/e9pTdC , já que a protagonista apresenta sinais de esquizofrenia.

A exemplo do que fez no seu filme anterior The Wrestler (O Lutador), o diretor explora as angústias, os sonhos e as fragilidades do ser humano, perturbados por situações limite e constituídos de ações que visam a ambição do sucesso. Mesmo construindo personagens protagonistas complexos, esses só se desdobram e ganham destaque a partir das relações interpessoais com os coadjuvantes (Hershey, Cassel, Kunis e Ryder)

Assim, Aronofsky arquiteta uma narrativa complexa, desenvolvendo o ritmo pela constante mudança entre sonho e realidade, que tornam o filme uma experiência sensorial sedutora.

Black Swan é tão surpreendente quanto assustador.

Avaliação: 9