Lilies of the Field: a fé remove as sombras

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Lilies of the field (Uma voz nas sombras, EUA, 94 min., 1963). Direção: Ralph Nelson. Roteiro: James Poe. Fotografia: Ernest Haller. Música: Jerry Goldsmith. Elenco: Sidney Poitier; Lilia Skala; Lisa Mann; Isa Crino; Francesca Jarvis; Pamela Branch; Stanley Adams.

Premiações: Academy Awards®: Melhor Ator (Sidney Poitier); Indicado: Filme; Roteiro Adaptado; Atriz Coadjuvante (Lilia Skala); Fotografia P&B. BAFTA: Indicado Ator Estrangeiro (Sidney Poitier); Prêmio UN. Berlin Festival: Melhor Interfilm; Prêmio OCIC; Urso de Prata de Melhor Ator (Sidney Poitier); Menção Honrosa de Prêmio Jovem Realizador. Indicado Urso de Ouro. Golden Globes®: Melhor Ator – Drama (Sidney Poitier); Filme – Categoria Especial; Indicado: Filme – Drama; Atriz Coadjuvante (Lilia Skala).

 
Antes de me dedicar a ‘árdua’ tarefa de colecionar e ver todas as obras indicadas ao prêmio Oscar® de melhor filme, não conhecia um quarto de bons filmes norte-americanos. Eis que então, dentre estes bons filmes que concorreram no Academy Awards®, surge um obra singular que enfoca a devoção de maneira bastante espirituosa e agradável, Lilies of the Field (literalmente, “lírios do campo”), título retirado de uma passagem do Novo Testamento, do sermão da Montanha no livro de Mateus, e que foi traduzido no Brasil com o sugestivo nome Uma voz nas sombras.

Pela sinopse pude tomar contato que seria, no mínimo, um filme interessante: Um homem negro, Homer Smith (Poitier) é um operário desempregado, que trabalha no ramo de construções. Ele para seu carro em uma propriedade rural, para arrumar o carro que está com problemas. Nesse lugar moram freiras católicas do leste europeu. Maria (Skala), a madre superiora, acredita que ele foi mandado por Deus para ajudá-las a construir uma capela naquele local. Apesar disto não estar em seus planos, Homer se propõe a fazer pequenas tarefas, o que gradativamente começa a tomar proporções maiores, na medida em que ele passa a ser envolvido pelo discurso e pelo contato com as freiras. Assim, ainda que bastante religioso e relacionado à crença, pareceu-me também bastante humano e simples.

Mas Uma voz nas sombras é muito mais do que isso. Trata-se de uma obra envolvente, bem construída, com ótimo senso de humor, fé, e claro com uma mensagem redentora, positiva e cristã. Quero deixar claro que não sou um religioso praticante, até, posso dizer, critico muito a estrutura política dessas instituições. Mas o filme me convenceu que há humanidade na (divina) providência, basta crer.

Produzido nos anos 1960, a obra é baseada no romance homônimo de William E. Barrett (que escreveu o livro em 1962). A obra toca em assuntos próprios do que a religiosidade gosta de abordar: fé, crença, amizade, coletividade, conflito – com o resultado positivo, trabalho, relações étnicas e raciais (bem propício para a época da produção) e confiança.

Destaca-se a atuação brilhante de Sidney Poitier, no auge de suas interpretações na década de 1960, para as irmãs que expressavam um misto de sentido de bondade, com autoritarismo calcado na fé e na canção composta por Jester Hairston (que também dublou a voz de Sidney Poitier quando seu personagem cantava em cena), “Amen”, que ressoa na mente do espectador após a sessão.

O próprio Ralph Nelson dirigiu seu último filme em 1979 – Christmas Lilies of the Field -, refilmando e adaptando para a televisão, Uma voz nas sombras – que foi seu maior sucesso, sendo que nesse telefilme ele relaciona a trama a proposta natalina.

Enfim, vale descobrir esta obra, que ainda está escondida sob as sombras de filmes mais populares. Os motivos que tornam importante conferir este filme já deixamos claro aqui, mas, principalmente, devemos ver pela necessidade de crermos em algo, como, por exemplo, boas histórias (com orçamentos modestos) contatadas no cinema. E nisso eu creio, sem sombra de dúvidas.

 
Quando e Onde ver:
Dia 22 de Abril de 2009, 19 h, com comentários do professor, cronista, escritor e historiador Vitor Biasoli.
22º Ciclos de Cinema Histórico: Crenças, Fé e Obsessões Religiosas.
Auditório do CCSH – Centro; Rua Floriano Peixoto, 1184
Santa Maria, RS.
Entrada Franca

Macc Avaliação: 9,5

2 Respostas para “Lilies of the Field: a fé remove as sombras”

  1. Salve Alexandre! Nos conhecemos no encontro da ANPHU de 2008 na UFRGS. Excelente a programação do novo ciclo de cinema. Ainda pretendo de um ciclo participar ai em SM.

    Parabéns a todos!

    Hudson

  2. Filipe Vieira Nicolau Diz:

    Excelente exposição deste filme. Sidney é um dos grandes nomes da Sétima Arte. Há dias revi-o em A Patch of Blue. Parabéns, Filipe

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